
01 Diamonds, Fur Coat, Champagne 02 Mr. Ray (to Howard T.) 03 Sweetheart 04 Fast Money Music 05 Touch Me 06 Harlem 07 Be Bop Kid 08 Las Vegas Man 09 Shadazz 10 Dance 11 Super Subway Comedian (bonus) 12 Dream Baby Dream (bonus)
13 Radiation (bonus)
Gravadora: Ze
Data de Lançamento: maio de 1980
Nada era fácil no início dos anos 1980. A eletrônica ainda engatinhava e, se hoje a tecnologia permite a produção lo-fi, bom, há três décadas atrás a coisa era um pouco diferente.
Apesar de não ser uma banda como Buzzcocks, Sex Pistols ou afins, o Suicide chegou a usar o termo punk.
A sonoridade não tem nada a ver com três acordes, agilidade e letras anárquicas: na verdade, o punk está incrustado na produção e na forma de dar a cara às tapas.
Quando o duo Alan Vega e Martin Rev se juntou em 1970 para formar o Suicide fez uso do termo punk para descrever uma espécie de selvageria. O termo só se aplicaria na música cerca de cinco anos depois. E o primeiro álbum do Suicide, somente sairia em 1977.
Com o First Album, o Suicide criou uma estética garageira da eletrônica. Pode ser encarado facilmente como o Velvet Underground do gênero (se serve de comparação, eles têm o próprio “Lady Godiva’s Operation” – vide “Frankie Teardrop”, descrita por Nick Hornby como música para se escutar ‘apenas uma vez e pronto’ de tão aterradora).
Para a gravação do segundo disco, o Suicide teve que enfrentar alguns perrengues. Primeiro deles, a pressão financeira, já que o álbum foi concebido no estúdio Power Station, em Nova York, que cobrava caro pelas sessões.
Esperava-se a produção de Giorgio Moroder, que colhia bons frutos com From Here From Infinity (1977), para o direcionamento mais eletrônico do duo. No entanto, ele andava ocupado demais com trilhas sonoras e o cargo da produção ficou por conta de Ric Ocasek, do The Cars.
Preocupado com a qualidade sonora, Ocasek arrumou um novo teclado para Martin Rev, mais carregado de efeitos sci-fi. A presença vocal de Alan Vega é mais constante: ele explorou a repetição com uma espécie de vigor punk, como pode-se ver em “Mr. Ray”, onde o fator humano se sobrepõe ao que alguns DJs futuramente tapeariam com samplers.
O fator orgânico é tão presente em Second Album, que o duo até se permitiu alguns deslizes. Vega não é o melhor dos vocalistas e isso podia ser um ponto negativo numa “Sweetheart”, por exemplo, que depende do fator emocional. No entanto, isso torna o disco mais sincero. Mostra que as fraquezas e os defeitos humanos podem muito bem ser injetados em um gênero que raramente se separa do artificial.
Tal análise faz sentido porque o Suicide tinha a pretensão de realizar novos experimentos nesse álbum. O dono da gravadora Ze, Michael Zilkha, que custeou o trabalho, insistiu que a banda deveria pegar carona na disco music. Zilkha apresentou o single “I Feel Love”, de Donna Summer, para Ocasek e aconselhou a banda a prestar atenção nas batidas (que eram de Moroder, por sinal).
No entanto o gênero (disco music), que supostamente poderia ser via de regra, tornou-se o ponto de partida para subversões sonoras típicas do pós-punk. Ao invés de linearidade, o Suicide injeta interrupções numa proposta mais acelerada (“Fast Money Music”). Isso quando não parte direto para a depravação – coisa de “Touch Me”, a trilha sonora perfeita dos punheteiros.
Se por um lado Second Album é mais acessível que o primeiro, por outro é o trabalho que sela o modus operandi niilista por parte do Suicide. A grande mudança é que os teclados abandonaram a acidez para uma proposta mais melódica e flutuante, como se a banda saísse da fogueira para a calmaria do oceano. (Diga se “Las Vegas Man” não soa como um objeto boiando em alto mar? Ou se “Harlem” não é uma navegação pelas profundezas, com descobertas atávicas simbolizadas por gritos, urros e notas de sax?)
Na época de seu lançamento, o disco foi comercializado como Suicide: Alan Vega and Martin Rev. Claro que vendeu pouco; até mesmo a crítica especializada ficou um tanto atordoada, talvez pela repentina mudança em relação ao First Album.
A influência e o prestígio só vieram posteriormente, quando músicos do Primal Scream, Siouxsie and Banshees, Aphex Twin e até Daft Punk citaram Second Album como importante influência de suas carreiras.
Em 2000, o duo relançou Second Album em CD incluindo três faixas: “Super Subway Comedian”, “Radiation” e a conhecida “Dream Baby Dream”, que Bruce Springsteen cantou para o público durante a turnê de Nebraska (1982).
Ainda que o niilismo, o experimentalismo e a alteração de tempo musical sejam recorrentes aqui, Second Album foi um trabalho que, despretensiosamente, pavimentou novos caminhos para a eletrônica – por mais tortuosos que eles fossem.
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A seguir ouça Second Album, do Suicide, na íntegra:
