
01 Debaixo do Manacá 02 Quero Te Dar (Desejos) 03 Ga-gaguejando 04 Mama Super Mama 05 Aquariar 06 Sufocante 07 Bons Momentos 08 Amor Verdadeiro 09 Venha Ser Minha Mulher
10 Ai que Bom
Sufocante
Ano: 1984
Gravadora: PolyGram



Apesar de não demonstrar tanto com o rumo de suas letras, Tim Maia era um grande experimentador. Neste álbum, ele já mostra outra possibilidade de balanço com “Debaixo do Manacá”, que funciona como uma espécie de eletrobaião. É uma boa música. “Ga-Gaguejando” é um funk que já contém a fórmula usual de Tim Maia. “Aquariar”, escrita por Neuma e Nelson Morais, tem uma letra interessante que fala de novos tempos – provavelmente inspirada pelo momento político do fim da ditadura, que estava por vir. “Mama Super Mama” é uma das poucas músicas escritas por Tim Maia em Sufocante – e talvez a única em que ele mostra o vigor dos velhos tempos. Depois disso, o disco se transforma em uma sucessão de canções românticas que te deixam lá embaixo: “Quero Te Dar (Desejos)”, a faixa-título, “Bons Momentos”, as dores de “Amor Verdadeiro” e “Venha Ser Minha Mulher”. O problema não é bem o clima das canções – é que elas, nem de longe, se aproximam do verdadeiro Tim Maia sentimental que gostamos de compartilhar lágrimas. Elas ficam ao relento, como se fossem obrigatoriamente inseridas para cumprir contrato com a PolyGram. E o resultado final não passa de mediano.
Ouça: “Debaixo do Manacá”

01 Bem Vinda 02 Você Me Enganou 03 Pede a Ela 04 O Adeus de Quem Tanto Amei 05 Você Tem Que Saber 06 Uma Estrela a Mais 07 A Grande Família Brasileira da Comunicação 08 Pense Bem 09 Leva
10 Acredito
Tim Maia (1985)
Ano: 1985
Gravadora: RCA Victor



Já na RCA-Victor, Tim Maia deu maturidade às suas canções românticas. Tanto nas composições, como nos arranjos. Há uma dinâmica maior: instrumentação mais híbrida ao invés do clima exageradamente soturno que permeou a maioria das canções de Sufocante. O investimento foi alto no debut de Tim com a nova gravadora: tanto que alguns críticos chegaram a afirmar que o Síndico havia se vendido à jogatina da indústria fonográfica. (Ele mesmo quis dar um sumiço com algumas tapes, mas felizmente elas foram recuperadas a tempo por Michael Sullivan.) O grande impulso do álbum são as faixas “Bem-Vinda” (de Valmir) e “Leva” (Sullivan e Paulo Massadas), canções românticas mais uma vez arranjadas por Lincoln Olivetti que geraram um grande bafafá nas rádios. Por mais que o álbum seja criticado por muitos, nele Tim Maia está inspirado em seus vocais, dando o tom certo para seu lado mais intimista. A instrumentação está mais polida, como se fosse preparada para um love songbook – é evidente que a gravadora interferiu bastante, jamais a Seroma ia querer chegar numa sonoridade dessas (um ponto negativo para o álbum, diga-se de passagem). Outros sucessos: “Pede a Ela” (Carlos Colla, Ed Wilson), “Uma Estrela a Mais” (Fernando Gama, Ronaldo Bastos) e “Acredito” (uma das poucas de autoria de Tim Maia no álbum relembra os velhos tempos do disco-funk). Por mais que gostemos do Síndico, Tim Maia é para se ouvir com os amigos, em confraternização (mesmo nos momentos mais melosos). Não combina esse lance de ‘escutar Tim Maia sozinho em casa’, talvez uma involuntária intenção do homônimo de 1985. Detalhe: esta é a capa mais bonita dos álbuns de Tim Maia, apesar de ser uma cópia deslavada de O Poderoso Chefão.
Ouça: “Leva”

01 Pudera 02 Brilho 03 Vê se Decide 04 Telefone 05 O Vento e as Canções 06 Do Leme ao Pontal (Tomo Guaraná, Suco de Caju, Goiabada para Sobremesa) 07 Preciosa 08 Sonhar Contigo 09 Se eu Soubesse
10 Brother, Father, Sister and Mother
Tim Maia (1986)
Ano: 1986
Gravadora: Continental



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Depois da briga com a RCA-Victor, Tim Maia recebeu uma proposta da Continental para gravar mais um homônimo. Claro que ele tinha que dar uma garantia de sucesso. Para tanto, registrou o estouro “Do Leme ao Pontal”, que já tinha sido gravada em compacto em 1982. Acho que nem precisa dar muitos detalhes desta canção, né? Ele fala das belezas do Rio de Janeiro em uma disco-music excitante, evocando o coro ao enumerar as praias cariocas. Também fez sucesso a música “Telefone”, um diálogo amoroso com uma amada que liga pra ele às 4h da manhã. É uma das poucas canções amorosas de Tim Maia em que ele mantém a firmeza de uma relação (‘leve um beijo e adeus’) e dá um pé na bunda de uma garota – perceba que é sempre ele quem sofre quando fala de sentimentos. Devido ao estouro nas rádios, as gravadoras insistiam para que o Síndico enfatizasse essa coisa mais sentimental. Afinal, naquela década o público que gostava de novela e músicas melosas era quem dominava nas FMs (talvez uma herança desgraçada da Jovem Guarda) e, por estar em uma grande gravadora, Tim Maia jogava o jogo. Mas isso não quer dizer que o álbum é desprovido de bons clássicos. A trinca “Pudera”, “Brilho” e “Vê Se Decide” é digno de um disco de qualidade do tijucano. Ele incluiu no tracklist uma outra versão de “Brother, Father, Sister and Mother” (gravada primeiro no disco de 1976), que ganhou um clima mais retrô. Vale lembrar que, desde o lançamento do Tim Maia em Inglês pela Warner-Continental em 1978, o Síndico havia desistido de gravar canções estrangeiras em seus álbuns: o desestímulo era tanto comercial, quanto pessoal (Tim achava que os fãs ficavam desagradados com suas músicas em língua estrangeira). Esta versão ficou ainda melhor, bom dizer.
Ouça: “Do Leme ao Pontal”

01 Onde Está Você 02 Amigo Verdadeiro 03 Se Esse Amor Termina 04 Parabéns 05 Amiga 06 Somos América 07 Você Mentiu 08 Terna Paixão 09 Ternura em Seu Olhar
10 Sem Volta
Somos América
Ano: 1987
Gravadora: Continental


Somos América veio na esteira do sucesso do trabalho anterior. No álbum, ele incluiu o single “Amiga” (composição de Cleonice e Edson Trindade, que havia sido lançado em compacto em 1982, com “Do Leme ao Pontal”): a música fala de como o Síndico foi se moldando conforme veio o sucesso – ‘Virei escravo do sucesso de hoje em dia/Mas ninguém sabe/Muitas vezes eu fingia’. Mostrar ao público quem era o verdadeiro Tim Maia era um dos grandes propósitos deste disco. Isso se aplica também à faixa de abertura “Onde Está Você”, onde diz ‘não mudei’, ‘não deixe o nosso amor assim’, ‘me envolvi demais’ (apesar de ser uma música romântica, impossível não associar à carreira do Síndico). Duplo sentido também é fácil de encontrar em “Se Esse Amor Termina”, onde Tim Maia afirma ter vontade de selar um compromisso firme – com uma mulher ou com o seu público? Sua sensibilidade que determina. O fato é que essa dubiedade é tão latente que chega a encher o saco do ouvinte. Ainda assim, por ser o segundo disco com a Continental, vemos que o Síndico está se firmando. Tanto que aqui há pelo menos quatro composições de sua autoria ou coautoria (“Se Esse Amor Termina”, “Parabéns”, “Somos América” e “Você Mentiu”), um aumento se comparado à sua fase pós-O Descobridor dos Sete Mares. Apesar de sua estabilidade na gravadora, este disco mostra um Tim Maia esgotado em suas possibilidades: “Você Mentiu” parece um lado-B descartado de Tim Maia Disco Club; “Ternura em Seu Olhar” carece daquela personificação timmaiesca; e “Parabéns” não tem criatividade alguma na composição. Chinfrim pros padrões de Tim Maia.
Ouça: “Onde Está Você”

01 Carinhos 02 Eu Quero Amar Você (Definitivamente) 03 Paixão Antiga 04 With No One Else Around 05 Turn the Light Down Low 06 Cabeça Feita 07 Fora do Normal 08 Ar Puro 09 Tudo em Cima
10 Forever
Carinhos
Ano: 1988
Gravadora: Continental





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Achou que os bons tempos de Tim Maia haviam se esvaído? Não não. Apesar de ter deixado de lado o balanço funky dos anos 1970, finalmente ele conseguiu se firmar na obscuridade dos anos 1980. Quem achava que as rádios iriam definhar a grandiosidade do Síndico, deve ter se enganado. Carinhos é um grande disco. A verdade é que, depois de tantas irregularidades e trocas de gravadoras, Tim Maia atingiu dois quesitos importantes em sua carreira naquele momento: estabelecer-se numa gravadora (a Continental) e lapidar seu lado sentimental, que parece ter atingido o ápice neste álbum – e lhe rendeu indicação ao Globo de Ouro. A faixa-título, escrita por Prêntice e Gabriel O’Meara, é uma balada certeira – muito por conta dos compassos da bateria. “Cabeça Feita” traz uma introdução que lembra “Gostava Tanto de Você” graças ao arranjo de metais, mas logo Tim evoca a maturidade de seus sentimentos: ‘O meu coração, mulher/Embarcou no seu amor’. Como o investimento e as possibilidades comerciais deste disco eram pomposas, ele registrou uma versão mais disco-funk de “Ar Puro” (de Nuvens) e trouxe um clima pop-romântico de “With No One Else Around” (de Tim Maia em Inglês, uma das músicas mais bonitas do homem) – duas canções que não tiveram a devida visibilidade por conta da distribuição independente pela Seroma na época de seus respectivos lançamentos. Ah, e mais uma vez Tim Maia descolou um hit potencial: sério, que interpretação é aquela de “Paixão Antiga”, dos irmãos (gênios) Marcos e Paulo Sergio Valle?!? ‘Deixa o coração te seduzir/Não dá mais pra disfarçar/Deixa o sentimento decidir/Já é hora de voltaaaaaaarr!’ Se você não se emociona com essa música, na boa, pare agora de ler este especial.
Ouça: “Paixão Antiga”

01 Dance Bem 02 Rodésia (Zimbabwe) 03 Acenda o Farol 04 Eu te Amo Muito Mais 05 Vale Tudo 06 O Descobridor dos Sete Mares 07 Paixão Antiga 08 I’ve Never Felt Like This Before 09 Amizade não Tem Preço
10 Mãe Natureza
Dance Bem
Ano: 1990
Gravadora: Continental




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Em 1990, Tim Maia estava em um bom momento musical por conta dos elogios do trabalho anterior. A grande intenção do álbum é fazer você mexer os pés. No tracklist, várias já conhecidas de trabalhos anteriores: “Rodésia”, que ganhou uma tonalidade pop com uma produção mais limpa e menos orquestrada (no lugar dos metais, solos de guitarra – provavelmente uma sacada da gravadora para pegar carona no ‘boom’ do rock nacional); “Acenda o Farol” em ritmo um pouquinho mais desacelerado (mas ainda contagiante); “O Descobridor dos Sete Mares”, que entrega uma rouquidão maior do Síndico; “Paixão Antiga”, que não entende-se bem o motivo de entrar novamente, uma vez que já causou no álbum anterior; e “Mãe Natureza”, que nada mais é que uma versão repaginada do clássico “Casinha de Sapê”. Mas, calma, não estamos tratando de uma coletânea. É necessário dizer que boa parte dessas repetições vêm de músicas catalogadas em outras gravadoras – motivos de inúmeros processos que geraram grandes prejuízos ao cantor que, pra piorar a situação, costumava dar o cano nas audiências dos tribunais. De inédita, temos a faixa-título, que retoma sua faceta funky com a adição de baterias eletrônicas. A extravagante “Vale Tudo” (escrita especialmente para Sandra de Sá, que a gravou em 1983), por si só, faz o baile: ‘Vale o que vier/Vale o que quiser/Só não vale dançar homem com homem/Nem, mulher com mulher’ (hoje em dia uma canção com uma composição dessas ia gerar um bafafá tão grande…). As outras duas inéditas, “I’ve Never Felt Like That Before” e “Amizade Não Tem Preço”, dão continuidade ao balanço. Apesar de não ter tanto material inédito, Dance Bem é o álbum que sintetiza o que de melhor aconteceu na fase oitentista do Síndico. Ideal para mostrar pr’aquele incauto que acredita que os anos de glória de Tim Maia pararam nos anos 1970.
Ouça: “Vale Tudo”

01 Folha de Papel 02 Eu e a Brisa 03 A Rã 04 A Rã II 05 Minha Namorada 06 Uselles Landscape 07 Wave 08 The Girl From Ipanema 09 Samba Da Pergunta
10 Meditação
Tim Maia Interpreta Clássicos da Bossa Nova
Ano: 1990
Gravadora: Vitória Régia




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Então toma essa: além de evocar os excessos com seus funks adoidados, elevar a alma com suas canções românticas de tocar o coração e xingar a rodo roadies e músicos durante as apresentações, a voz de Tim Maia também era excelente na interpretação de clássicos da… bossa nova. Apesar de representar o oposto do que o músico fez até então – o soul-funk de Tim era para as massas; bossa nova era a máxima da sofisticação – o disco foi uma espécie de realização para o Síndico. Sim, ele também foi um dos muitos influenciados pela música de João Gilberto – influência mais perceptível nos grupos e trabalhos antes do primeiro disco. Ele teve que treinar para mudar a tonalidade dos vocais e não passar do ponto em canções como “Wave” (Tom Jobim), “Folha de Papel” (Sergio Ricardo), “A Rã” (Caetano Veloso, João Donato). “Girl From Ipanema”, que já ultrapassou o desgaste de tanto que foi interpretada, ficou bonita na voz de Tim, que a cantou com um sotaque perfeito (como ele costumava fazer nas músicas em inglês). Para que a climatização beirasse a perfeição, Almir Chediak assinou a direção musical e chamou craques musicais para acompanhar o Síndico: Antonio Adolfo (piano), Luizão Maia (baixo), Chiquito Braga (violão) e Wilson das Neves (bateria). Destaque para a lindíssima versão de “Meditação”, composição de Tom Jobim e Newton Mendonça que ficou eternizada no segundo álbum de João Gilberto (O Amor, o Sorriso e a Flor). Quem disse que Tim Maia não sabia forjar sutileza? Incrível é saber que, mesmo depois de se acabar com drogas e bebidas, ele ainda permanecia com a voz praticamente intacta.
Ouça: “Eu e a Brisa”
