Gravadora: Interscope/Polydor
Data de Lançamento: 18 de setembro de 2015
Nenhuma inabilidade pode ser totalmente refutada quando se avalia uma obra artística. A falta de um dom, por mais ‘básico’ que seja, pode ser rearranjado de forma criativa, revelando aspectos antes inexplorados, ou mostrando possibilidades inalcançáveis àqueles que se preocupam meramente com a técnica.
A música pop, cantada, atualmente não depende da habilidade de quem a executa – depende, mais, de quem a adorna.
Não seria assim com Lana Del Rey? A partir de Honeymoon, sim, esta é a impressão.
Mais canções sobre amores e desafetos, aventuranças supérfluas e tramas modorrentas completam o catálogo de Lana Del Rey
Aqui, ela resolveu voltar ao mesmo ponto de partida de Born To Die (2012): pop minimamente orquestrado, que depende da condução das suas emoções. São elas, apenas, e não o conjunto atmosférico que leva a cantora a sentir pena, tristeza, raiva, esperança, que justificam a cega aceitação de pessoas jovens com o seu trabalho.
Em Ultraviolence (2014), as pontuações macabras de guitarra suscitavam a imagem de uma mulher por trás da garotinha, segurando um candelabro, enquanto dava pistas interessantes sobre o comportamento de uma geração cada vez mais incompreendida. Lana sentia – e devolvia com pungência. Honeymoon, por outro lado, parece escondê-la novamente no intransponível mausoléu em que parece repousar – e não dá sinais de que vai sair tão cedo.
Mais canções sobre amores e desafetos, aventuranças supérfluas e tramas modorrentas completam o catálogo de Lana Del Rey. “Music to Watch Boys To” é tão mórbida quanto os synths em que se apoia. “God Knows I Tried” é exemplo de como se pode transformar um momento de solidão em ofensa aos ouvidos. “Freak” e “Religion”, de tão tácitas, fazem com que o foco da história se materialize numa apreensão de quem escuta. Elas, assim como “High By the Beach”, “Salvatore” (com italiano duvidoso), “24” e “Swan Song”, parecem tão extensas quanto as demoras do mais moribundo dos seres em salas de espera. (De fato, uma das poucas que se salva é “Terrence Loves”, mas isso somente porque as nuances entre os arranjos suscitam interessante algo paisagístico.)
Não é pelos defeitos; é a clara falta deles, e de acertos também, que tornam Honeymoon um disco paralítico, sem vida e sem substância – contrapontos que não se encaixam numa obra que discorre sobre emoções.
