Gravadora: Ninja Tune
Data de Lançamento: 4 de março de 2016

Música digital para criticar a cultura digital. Parece contradição, mas desde Grimes e Holly Herndon o fato de ter uma mulher como linha de frente disso denota um acúmulo de argumentos que somente as palavras, talvez, não tivessem tanto efeito.

O nome Throwing Shade pode não ser muito familiar, mas dizer que ela trabalhou com o produtor britânico SOPHIE pode deixar as coisas menos nebulosas. A mulher por trás do projeto é Nabihah Iqbal, especialista em História Africana pela Universidade de Cambridge (Inglaterra) e uma das produtoras da rádio NTS.

Seu EP de estreia, House of Silk, reúne cinco faixas no esquema ‘retrofuturista com conteúdo’. A descrição do primeiro single, “hashtag IRL”, exemplifica sua preocupação com o avanço digital: “é um aceno com o que ela chama ironicamente de ‘realidade antissocial das mídias sociais’”, diz o texto de divulgação.

Ele continua:

“É cheio de glitter digital e coloquialismos contemporâneos, mas permeados também por um vazio inatingível. Os vocais repetitivos, robóticos e melancólicos, para ela, ‘simbolizam como a internet implacavelmente dita nossas vidas… Nossos pensamentos são diluídos num denominador comum de hashtags, selfies e siglas de linguagem de internet’”.

“Marble Air” é um techno reflexivo que assume as percussões de modo minimalista, dando um parâmetro ‘igualitário’ às referências da música eletrônica.

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Mais sincopada, “Echo Echo” parece música composta por uma criança, com seu tecladinho monocromático e efeitos fantasiosos que remetem ao uso perene da imaginação.

Quanto às duas demais faixas – colocando “os convincentes pés ociosos pra dançar em “Fear of Silence” e deslizando por meio da névoa sonífera em “Underneath Uy Eyelids” – Throwing Shade prova que a substância musical envolve criatividade, mas, sobretudo, imaginação. Que ela não tenha que explicar tudo para que possa ser ouvida.

Ouça House of Silk na íntegra no player abaixo: