“Começo a acreditar que minha música está intrinsecamente associada ao processo democrático”, diz Figueiredo no texto de divulgação, ao citar que Nossa Cidade ’16, assim como a estreia Fugere Urbem (2008), tem como pano de fundo as eleições municipais de sua cidade, Tapes, próximo a Porto Alegre (RS).

Detalhes de Eu Não Estou em Sintonia, 2º disco de Nosso Querido Figueiredo
A música de Nosso Querido Figueiredo é totalmente política. “Os Dragões”, lançada no ano passado, mostrou uma forma inteligentemente irônica ao falar dos protestos contra o governo no Brasil.
Mas uma das melhores coisas de sua música é a opacidade. Geralmente ancorado de batidas monocromáticas (seja no piano ou no baixo), a música de Nosso Querido Figueiredo é uma espécie de minimalismo aloprado. É o lo-fi do lo-fi: pós-punk cru em que os comentários e analogias interessam mais que o acompanhamento, que reflete um vazio social – no caso, preenchido pelo que ele tem a dizer.
Nossa Cidade ’16 surgiu com o intuito de falar da cidade de Tapes, no Rio Grande do Sul, enquanto uma cidade pequena passível à “decadência através de fatores não necessariamente políticos”.
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Ele faz questão de enumerar essas problemáticas: “migração de jovens para grandes centros urbanos, acarretando uma população cada vez mais idosa e menos produtiva, desvalorização de terrenos, zonas periféricas infladas demograficamente ainda que economicamente insustentáveis, aumento da criminalidade etc”.
Ele demorou quatro anos para preparar Nossa Cidade ’16, ponderando muito bem uma frase genial do escritor Tolstói: “Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia”.
Quase todas as 17 canções mostram, em parênteses, seus propósitos. “Não Voltar (Nem Dentro de Um Caixão)” simplifica o propósito da canção, que aborda aquela história clichê de pessoas que abandonam seus locais de origem para tentar a vida na grande cidade. “Tempo de Glória (Tanto Arroz)” alerta aos malefícios de se apegar demais à religião.
O álbum foi gravado, escrito e produzido pelo próprio Figueiredo – a única participação ‘externa’ é a guitarra de Braidon Gorziza, no punk que parece vir cheio de poeira em “O Que Me Resta (Ensaio Punk)”.
Ouça Nossa Cidade ’16 na íntegra no player abaixo. Para fazer o download gratuito, visite o Bandcamp oficial de Nosso Querido Figueiredo.
