
Diversos ritmos condensados em um grupo podem resultar em um trabalho confuso e de difícil acesso para o público. Poucas big bands conseguiram unir diferentes influências de maneira agradável, e isso explica o rechaço de alguns por grandes músicos que já tentaram fazer isso (como Frank Zappa, John McLaughlin e até mesmo alguns álbuns do Miles Davis).
Quando Lars Horntveth decidiu dar os primeiros passos para criar o Jaga Jazzist, em 1994, tinha apenas 14 anos e morava em uma pequena cidade próximo a Oslo, chamada Tonsberg. Gravou o primeiro álbum somente em 2001, A Livingroom Hush, depois de experimentar tudo quanto é influência: de Kraftwerk a Stone Roses, de Sly Stone a Beastie Boys, de Beatles a Flaming Lips.
O que se vê mesmo presente no som do grupo é o ritmo progressivo, que acaba se sobrepondo às demais sonoridades psicodélicas. O grupo tem uma sinergia única que por vezes acaba lembrando os bons tempos do Mothers of Invention, que tocava com o Frank Zappa. Mas aí também tem um pouco de Africa 70 (de Fela Kuti), do classicismo de Burt Bacharach e do fusion de Mahavishnu Orchestra, o que só comprova a versatilidade dos noruegueses.
Inovadores nas experimentações instrumentais, a big band é composta por 9 integrantes:
• Mathias Eick – Trumpete, contrabaixo, teclados e vibrafone
• Marcus Forsgren – Guitarras e efeitos
• Even Ormestad – Baixo e teclado
• Andreas Mjøs – Vibrafone, guitarras e bateria
• Line Horntveth – Tuba e percussão
• Martin Horntveth – Baterias
• Lars Horntveth – Sax-tenor, clarinete, guitarras e teclados
• Øystein Moen – Teclados
• Erik Johannessen – Trombone e percussão
Este ano, o grupo acaba de lançar o álbum One Armed-Bandit, com canções que podem muito bem ser colocadas em uma pista de dança. O realce fica por conta da virtuose dos integrantes e da diversidade de instrumentos que entram em cena, resultando em um groove delicioso que cativa qualquer fã de música em geral.
O som feito pelo Jaga Jazzist pode ser considerado Fusion, principalmente com o flerte que há entre jazz e rock, mas está mais próximo de bandas experimentais progressivas que marcaram a década de 70, como o King Crimson e até mesmo algumas faixas do Pink Floyd, por exemplo.
Com este revival de influências, a big band traz uma nova perspectiva para o cenário instrumental. Não há nada de saudosismo ao que outros artistas fizeram anteriormente. É como se um buraco negro sugasse toda a produção anterior e expelisse uma sonoridade nova, regenerada, mais pulsante. E o Jaga Jazzist é o representante-mor desta renovação.
