01 No Hope 02 I Always Knew 03 Teenage Icon 04 All In Vain 05 Ghost Town 06 Aftershave Ocean 07 Weirdo 08 Bad Mood 09 Change Of Heart pt.2 10 I Wish I Was A Girl

11 Lonely World

Gravadora: Columbia

Tenho a impressão de que o The Vaccines teria outra recepção do público se soubesse nomear melhor os seus discos: What Did You Expect From The Vaccines?, do ano passado, era pretensioso demais para uma banda que só porque recebeu elogios rasgados de publicações viciadas como a NME já quis se alçar ao mainstream.

Come of Age, só pelo nome, já denota a falta de criatividade para lidar com o tal segundo disco. Nele, as canções adquirem tom mais reflexivo, como se eles quisessem romper logo de cara com a possível alcunha de ‘banda adolescente’.

Impossível não se lembrar do impacto que teve Humbug, dos Arctic Monkeys, quando lançado em 2009. Depois da estreia bombástica de Whatever People Say I Am… (2006) e dos megahits do disco seguinte, de repente os monkeys quiseram mostrar que amadureceram, ficaram maiores. Com o apoio de Josh Homme, a transição pode ter sido bem lapidada, mas pode ser considerada frustrante. Tanto que eles tiveram que recuar com Suck It and See para ponderar entre o tal ‘maduro’ e a energia do rock inocente.

Com a audição de Come of Age, a impressão que se tem é que o The Vaccines quer encurtar o caminho do sucesso para chegar no pódio dos Monkeys.

O disco começa muito bem com o single “No Hope”, para atrair os (nem tão) velhos fãs – e capacidade de sobra de chamar tantos outros.

“I Always Knew” tem um riff agradável de início, mas a voz de Justin Young já vai flertando com um clima mais meditativo: a de um jovem supostamente crescido que encara a paixão de uma forma mais ‘adulta’ que os amigos do colégio.

Com bateria inspirada de Pete Robertson (lembra Topper Headon), “Teenage Icon”, a terceira faixa, ainda prende os ouvintes ao disco tanto pela levada punk da voz de Young como pela dinâmica virtuosa da guitarra de Freddie Cowan. É pra ser cantada em grandes apresentações, pelo refrão viciante e por lembrar sem medo o melhor da sonoridade de nossas adolescências roqueiras. Não é de surpreender se aparecer como trilha sonora de um filme adolescente sem noção (um Superbad 2, hã?).

Chega a quarta faixa e, com ela, a atmosfera de chatice. “All in Vein” é uma inapropriada tentativa de dar uma de Morrissey. “Ghost Town” começa com um riff empolgante, mas a voz de Young não responde às expectativas da instrumentação criada.

Em “Aftershave Ocean”, o The Vaccines já entrou naquela vibe: ‘a maturidade chegou’. A canção tem lá a sua beleza, mas aí você conclui: ‘cara, não tô afim de crescer!’. Cadê os riffs precisos de 2 minutos e meio que deram prestígio todo à banda? Cadê a irreverência? Cadê o ‘stadium rock’?

Tudo bem que “Bad Mood” e “Change of Heart Pt. 2” ainda deem um gás, mas quando eles flertam novamente com a ‘síndrome dos 18’ com o tema de “I Wish I Was Girl” (emo? capaz!), provavelmente sua paciência já terá se esgotado com tanta modulação de ‘bom’, ‘ruim’. Quer termômetro, vai pra farmácia!

Sabe aquele filme da garota que faz um pedido quando criança e acorda vinte anos depois como uma mulher bem-sucedida? Então, o The Vaccines está tentando fazer isso com Come of Age.

E a questão não cala: melhor voltar ou seguir em frente? Porque o meio do caminho faz diferença…

Melhores Faixas: “No Hope”, “Teenage Icon”.