01 Nasty Gal 02 Talkin’ Trash 03 Dedicated To The Press 04 You And I 05 Feelins 06 F.U.N.K. 07 Gettin Kicked Off, Havin Fun 08 Shut Off The Light 09 This Is It!

10 The Lone Ranger

Gravadora: Island
Data de Lançamento: 1975

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Muitos podem pensar que a primeira aparição de Betty Davis no meio artístico foi na capa do disco Filles De Kilimanjaro, de Miles Davis (disco que tinha inclusive uma canção dedicada a ela). Ela influenciou bastante a chamada fase elétrica de Miles, já que era sua esposa e bem conhecida por gostar dos excessos do funk e do rock de Jimi Hendrix e Sly Stone.

Betty Mabry, como era anteriormente chamada a modelo que chegou a estampar capas das revistas Ebony e Glamour por sua beleza perigosa, começou a cantar no começo dos anos 1960 em bares de Nova York, quando conheceu o cantor de soul Lou Courtney, que produziu o primeiro single “The Cellar”.

Por mais que ela tivesse interrompido sua carreira, ela já estava envolvida na música. Depois de assumir de vez o nome Betty Davis após o casamento com Miles Davis – que durou pouco tempo, de 1968 a 1969 – ela começou uma carreira artística com o lançamento do primeiro disco homônimo e, depois, com o disco They Say I’m Different, ambos pela Light in the Attic.

Nenhum deles conquistou sucesso comercial, mas nada impediu que a cantora se dedicasse a lançar aquele que foi considerado a sua obra-prima: Nasty Gal. Ele marcou a mudança de gravadora para a Island de Chris Blackwell, e ele deu total liberdade para que ela seguisse os caminhos que quisesse.

Naturalmente, o rock e o funk estão entrelaçados em sua obra. Sua voz potente impressiona: ela se impõe para falar de temas que para ela não eram nada comprometedores. Na faixa-título, por exemplo, ela assume sua sexualidade e não tem medo de se forjar como uma ‘bitch’, uma ‘vadia’ que se orgulha de sua feminilidade: ‘Você diz que eu te amo de qualquer maneira/E a minha maneira é muito suja pra você neste momento’.

Betty não toca nenhum instrumento no disco, mas Nasty Gal é todo Betty. Cada corda arrancada nas guitarras de Carlos Morales parece um movimento forçado por Betty. Sua voz é espirituosa, sensual, de meter medo em marmanjo que despreza seu divã artístico.

Você pode achar que “Talkin’ Trash” é muito Sly Stone – e estará certo. Mas quando ela força a voz para cantar ‘vou te fazer sentir forte/assim como o vento do norte’, dá pra sentir os arrepios de uma artista que usa a voz para te excitar.

Todas as 10 faixas de Nasty Gal misturam sensualidade, funk, rock e atitude anos 1970 – com exceção de linda balada “You and I”, onde a cantora se inspira em Billie Holiday numa canção de amor dedicada ao ex-marido Miles Davis, que assume aqueles trompetes lúgubres que lembram passagens de Sketches of Spain. A canção ganhou um tom orquestral esplêndido, assinado por ninguém menos que o mestre Gil Evans.

Apesar da agressividade e pelo fato de ser um disco ‘a frente do tempo’ por tratar sem pudor de temas espinhosos em relação à sexualidade, Nasty Gal não conquistou sucesso comercial. O jornalista Thom Jurek explicou perfeitamente em uma resenha para o AllMusic o motivo do terceiro disco da diva não ter conquistado espaço: “O álbum parecia balançar demais o mercado do rádio negro, e era funky demais para entrar em uma rádio branca”.

Nem é preciso analisar muito. Canções como “Feelins”, “F.U.N.K.”, “T’his Is It!”, “Dedicated to the Press” já falam por si próprias.