Gravadora: Def Jam
Data de Lançamento: 19 de maio de 2014
How I Got Over (2010), pelo que parece, foi o último passo provável do The Roots. A despeito de suas participações em discos de Booker T. Jones, John Legend, entre outros, o grupo mostrou-se ousado a ponto de gravar com Elvis Costello e partir para uma jornada conceitual no ótimo undun (2011).
Com …And Then You Shoot Your Cousin, o grupo fez uso da melancolia inspiradora de undun e explorou arranjos até então inconcebíveis nas explorações da banda.
Ao ouvir “Never” (com participação de Party Cash) e “When the People Cheer”, piano e bateria são principais condutores de uma narrativa tão séria quanto o semblante de BlackThought, que desacelera as rimas em busca de uma climatização soul.
Como foi notado em undun, o The Roots não liga mais para singles e, no caso deste disco, isso soa como significativa perda. As faixas são elogiosas: passa pelos anos 1950 em “The Devil” e se abrilhantam no gospel com ares de retrô, meio Stax Records, em “The Coming”, com os belos vocais de Mercedes Martinez, do duo de neo-soul Jazzyfatnastees.
Os temas falam de rua, crenças e de buscas por dias melhores de forma ainda mais madura, algo que o Roots vem evoluindo impressionantemente a cada trabalho. São crônicas de tempos que permanecem difíceis, mas que ainda nos dá a chance de sonhar.
Em “Understand”, Dice Raw e Greg Porn juntam-se (mais uma vez) ao grupo para cantar a extensa busca do povo pela redenção divina dos pecados diários.
Em “The Dark (Trinity)”, o Roots reencontra os eixos de seus discos anteriores como Rising Down (2008), mas nada que tire de And Then… a característica de obra isolada.
As notas de piano e os arranjos orquestrais interpolados são mais destacáveis que a força bruta da banda em sua trajetória singular no hip hop. Encarar And Then You Shoot… como obra superior ao catálogo dos Roots seria ignorar a lapidação de mais de 20 anos de atividade.
Os temas adquiriram maior complexidade e novo prisma. Mas nem sempre uma nova direção tem a eficácia de ser bem aceita apenas pelo fator ousadia. Nesse sentido, And Then You Shoot… é um belo respirar. Mas não deve ser entendido como um modelo a ser seguido pelo grupo da Filadélfia (EUA) daqui pra frente.
