Gravadora: Constellation
Data de Lançamento: 31 de março de 2015

Adquirir o álbum

A despeito das guitarras sujas versus cristalinas, simulação de caos e sonoridade explosiva que caracterizam as bandas de post-rock, há os drones.

Os drones mantêm o ouvinte atento às próximas reviravoltas musicais dessas bandas. Por serem monótonos, tidos como pausas ou respirações, dificilmente são analisados à parte do conjunto da obra – ao contrário do que acontece com os momentos-chave dos temas. Foca-se na explosão da intensidade, não em sua carga.

Há flerte com o macabro, mas não demora para que esse sentido seja interpretado como o mais humano dos receios

Em seu 5º disco, o Godspeed You! Black Emperor deu uma abordagem aos drones semelhante aos trabalhos anteriores. Como em Allelujah! Don’t Bend! Ascend! (2012), a banda canadense empoeira esses momentos de pausa, deixando que a climatização se sobreponha aos experimentos técnicos de guitarras, baixos elétricos e órgãos.

Após a catarse orquestral de “Peasantry or ‘Light! Inside of Light!’”, o drone “Lamb’s Breath” coloca o ouvinte num espectro de terror claudicante. O barulho ao fundo é atônito a ponto de deixar o ouvinte mais agoniado que durante as faixas explosivas comum ao GY!BE. Quando ela cai em algo gravitacional, não é a paz que perdura; é a desconfiança.

Em “Asuder, Sweet”, o terror já se foi. A banda traça uma estética exploratória, como se explicasse em sons um passeio por um planeta misterioso. Como é comum em drones de post-rock, há flerte com o macabro, mas não demora para que esse sentido seja interpretado como o mais humano dos receios.

As guitarras são tão testemunhas quanto os ouvintes, e o que o Godspeed está prestes a extrair é algo ricamente soberbo.

O que seria? Bom, “Piss Crowns Are Trebled” fala por si própria. De maneira progressiva, a banda trabalha sobre uma melodia manjada, mas seguramente bela.

A supremacia da banda é exposta no sustento dessa melodia com a entrada de novos arroubos sônicos. O encontro com a beleza é tão surpreendente como a feição de um jovem rapaz diante de uma beldade de mulher: as emoções ficam trêmulas, é uma entropia estranha que perdura horas, dias, semanas. Compara-se a esse momento, que logo se transforma em prazer, a faixa derradeira de Asunder Sweet and Other Distress.

Um desfecho e tanto para o início estonteante de “Peasantry or ‘Light! Inside of Light!’”.

Baita disco.