Gravadora: Jamla/Javotti
Data de Lançamento: 6 de novembro de 2015
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Talib Kweli é um cara muito ocupado. Sua agenda ultrapassa 200 shows por ano. Nesse meio-tempo, sempre há espaço para um disco, ou para uma colaboração importante.
Ema gosto deste ano, ele disponibilizou gratuitamente o disco Fuck The Money, com destaque para o single “Gratitude”.
Já tem mais de um ano que o rapper da Costa Leste prometeu um disco ao lado do produtor 9th Wonder, que já trabalhou ao lado de Jay Z, Beyoncé, Kendrick Lamar e Erykah Badu.
O resultado é o disco Indie 500, que encapsula a produção do-it-yourself que prevalece na carreira dos dois.
O álbum começa com uma versão de “Which Side Are You On”, com participações de Tef Poe e Kendra Ross. Ali, o estilo combativo da música de Woody Guthrie é celebrado com corais femininos e uma agudeza de guitarras que contrasta com os vocais soul e pianos ao fundo.
Cada faixa é complementada por, pelo menos, três colaboradores. A diferença é que o dedo de Midas não está na produção, mas na voz de Talib Kweli conduzindo e interagindo com os demais músicos
“Every Ghetto” e “Pay Ya Dudes” também surfam na influência do R&B, com forte presença do baixo. As produções de Hi-Tek e Eric G enaltecem a importância das rimas, algo cada vez menos requisitado no gênero. Quem já conhece Talib Kweli dos tempos de Black Star (ao lado de Mos Def) e Reflection Eternal (com Hi-Tek), sabe que a velocidade de suas rimas é importante, mas não mais que o teor agudo e intelectual tão contumaz de suas letras.
Uma das principais premissas de Indie 500 é celebrar a cultura underground do hip hop, tão vasta quanto nebulosa. Se a lógica realmente fosse aplicada, hoje Talib Kweli teria um status de Eminem no fator sucesso – ambos vieram da Rawkus Records – pois se destacou nos primórdios da internet.
Mas, Talib jamais se adequou às majors. Longe do gangsta rap e mais distante ainda das brigas de MCs de Nova York e Califórnia, ele conquistou espaço detratando o preconceito e a falta de espaço para a comunidade negra como um problema bem mais complexo que o olhar mal encarado entre policiais e moradores do gueto.
Essa postura ainda perdura em Indie 500, álbum que Kweli chegou a definir como o “equivalente consciente” de The Chronic (1992), de Dr. Dre.
No fator produção, isso é bem verdade. Cada faixa é complementada por, pelo menos, três colaboradores. A diferença é que o dedo de Midas não está na produção, mas na voz de Talib Kweli conduzindo e interagindo com os demais músicos. O próprio 9th Wonder não produz o disco sozinho. Dele, mesmo, são quatro faixas – entre elas, o old-school provocante de “Great Day in the Mourning” e o belo dueto R&B com Rapsody em “Life Ahead of Me”, parceria ainda melhor que a “Every Ghetto”, já apresentada no Late Show, de Jimmy Fallon.
Responsável por três canções, a produção de Kottz dilui o funk espacial em seus átomos mínimos, dando mais espaço para bateria que guitarras. É assim que “These Waters”, com K’Valentine, NIKO IS, Chris Rob e Jessica Care Moore, cativa o ouvinte logo nas primeiras audições.
Em “Understand”, que fecha o disco, teclados e pianos dinamizam com as vozes de Brother Ali e Planet Asia. A produção é de Khrysis, colaborador de 9th Wonder tão afeiçoado ao jazz e R&B quanto o comprometimento de Talib com as premissas que dão essência ao hip hop. “Se você tiver um coração e uma mente forte como artista, não há jeito de alguém mudar a sua forma de criar”, diz o rapper. Assim tem sido nos últimos 20 anos.
Outros lançamentos relevantes:
• Seal: Seal 7 (Warner Bros)
• Floating Points: Elaenia (Pluto)
• MV Bill: Contemporâneo (Independente)
• Grimes: Art Angels (4AD/Eerie Organization/Roc Nation)
