Escrito por Tiago Ferreira em segunda-feira, junho 3, 2013 8 Comentários





Finalmente o Queens of the Stone Age pode aderir algumas canções novas ao petardo de clássicos que formam o tracklist óbvio – porém insuperável – das melhores apresentações do grupo. Pairava uma carência de força pop na banda de Josh Homme desde a última aparição de Dave Grohl nas baquetas – no caso, Songs For the Deaf (2002). Apesar do líder do Foo Fighters ser dono da participação mais constante no disco (ele toca bateria em seis canções), …Like Clockwork também tem o dedo colaborativo de outras figurinhas conhecidas. Trent Reznor, Alex Turner e Elton John estão lá, mas o ouvinte nem percebe direito.






Para chegar até aqui, mais de 25 anos depois de sua estreia, o Primal Scream agregou, multifacetou e distorceu bastante até se aproximar ao pop. E isso não é uma notícia ruim: em More Light, gêneros como psicodelia (“Goodbye Johnny”), folk-rock (“River of Pain”), shoegaze (“Hit Void”) e até uma pitada de gospel (“It’s Alright It’s OK”) estão formulados num tratamento que não estranha quem já conhece os percalços da banda.
Escrito por Tiago Ferreira em quinta-feira, maio 16, 2013 4 Comentários






Um disco que se chama The Terror e termina com um cover de “All You Need is Love” (The Beatles) já vem com o enredo pronto: ele vai trafegar pelo horror até encontrar o fim do túnel, tão ensolarado como dá a entender a capa. É exatamente isso que faz o The Flaming Lips em seu 13º disco. No entanto, você deixaria de assistir a um filme de Hitchcock só porque a mocinha não morreu no final? Julgaria a intensidade de um suspense japonês comparando-o a fracassos hollywoodianos? The Terror é um disco denso, e isso você já deve ter cansado de ler em outras resenhas por aí. Mas estamos diante de uma densidade que mexe com sentidos.
Escrito por Tiago Ferreira em terça-feira, maio 14, 2013 1 Comentário





Decrepitude e improbabilidades fortalecem um disco que rejeita completamente qualquer menção a ‘vanguardista’. Supere os argumentos que ligam o Pere Ubu à ‘música difícil’. Difícil mesmo é não gostar da decrepitude que ele mina em canções como “And Then Nothing Happened” ou “Free White” (vale lembrar que sr. Thomas, o único membro fundador do Pere Ubu desde sua formação, em 1975, já tem 60 anos).





Experiente guitarrista com uma longa carreira que envolve trabalhos com músicos que vão de Tom Waits a Caetano Veloso, Marc Ribot pode brincar o quanto quiser. A probabilidade de sair coisa boa é muito grande. Assim que Your Turn bate aos ouvidos, o que parecia ser brincadeira se torna uma vultosa experiência. Do rock ao avant-garde, do eletrônico ao fusion: nenhum gênero é instransponível nos instrumentos dos grandes virtuoses do Ceramic Dog – complementado por Shahzad Ismaily (baixo) e Ches Smith (bateria).






Depois de lançar o elogiado Halcyon Digest, o vocalista passou por maus bocados e não teve tempo de fazer muitos shows de divulgação. Recuperado, veio a ideia do Atlas Sound, que o levou para outra incursão musical. De volta com a banda, novas ideias vieram na composição e na estética musical. O que isso influencia na agressividade que se pairou em Monomania? Além da faixa-título, claramente o rock sujo mais originalmente pesado que você deve ouvir em 2013, paira no disco um senso de reducionismo – reducionismo de acordes, reducionismo de efeitos estranhos ao fundo, reducionismo atmosférico…






Numa entrevista confessional à SPIN Magazine, o soulman Charles Bradley afirmou que por mais que se encontre novas formas de se fazer música, para ele o que importa é que se faça música com emoção. Por isso, invariavelmente, ele recorreu à soul music no alto de seus 64 anos para expressar sentimentos de amor, dor, afetividades e outras experiências pessoais. Tal qual um Otis Redding do século XXI, Bradley mune suas emoções cantadas com funk e soul em suas formas mais poderosas.
