
01 Stop! 02 No One’s Leaving 03 Ain’t No Right 04 Obvious 05 Been Caught Stealing 06 Three Days 07 Then She Did… 08 Of Course
09 Classic Girl
Gravadora: Warner
Data de Lançamento: 21 de agosto de 1990
Hoje em dia posso dizer que gosto do Jane’s Addiction só por causa deste álbum. Mais precisamente por conta dos excelentes singles “Stop” e “Been Caught Stealing”, hits que ouvi nos rádios quando era menor mas que não dava quase nenhuma atenção. Afinal, naquela época eu nem de rock gostava. Só que, quando tive novo contato, parecia que os riffs anacrônicos de Dave Navarro e a voz estridente de Perry Farrell estavam incubadas e, de uma hora pra outra, escaparam.
Bom, mas não pense que Ritual de Lo Habitual é uma sucessão de singles de hard core alternativo de forte abrangência pop. Farrell e companhia mostraram que o gênero também pode guardar belas estranhezas musicais, mas que, quando suportadas por aquele riff mágico que todo mundo gosta, de uma forma ou de outra acaba fazendo sentido. Não que seja uma incursão forçada para ser separada do mainstream. Uma faixa como “Ain’t No Right” pode ser considerada palatável por dar um tom psicodélico a uma estética explorada, por exemplo, por um Black Album do Metallica.
O disco é separado por dois lados distintos: no primeiro lado, onde a verve roqueira é bem mais evidente, a disrítmica “Stop” abre com potência flamejante. O segundo lado, que começa com a extensa “Three Days”, exibe o baixo monocromático de Eric Avery contornando toda a inspiração bowiana que permeiam os vocais de Farrell.
O que te faz gostar do Jane’s Addiction é ter a incerteza do que está ouvindo. Podemos considerar “Obvious” um psych-rock quando Farrell nos parece mostrar, comparando hoje em dia, um preview do que faria Alex Turner? E “Then She Did…”, praticamente a interpretação do que os americanos fariam com o indie-rock: o que faz em um disco considerado pesado?
Reformulando: o que significa, ao certo, Ritual de Lo Habitual? Uma plastificação de tudo o que estava acontecendo no rock? Porque não vejo outra explicação para colocar em um mesmo disco canções como a anti-religiosa “Been Caught Stealing”, com latidos de cachorros bravos concordando com as intempéries vocais de Farrell, e “Classic Girl”, uma balada arranhada que torna a imagem viril do vocalista quase escapista. as incertezas sobre o rock pairavam naquele momento, e o Jane’s Addiction só fez aumentá-las.
Vale lembrar que os primeiros shows deste disco foram realizados no Lollapalooza do ano seguinte, oficialmente criado por Perry Farrell. Na semana que vem, eles mostram a potência de sua música aqui na edição brasileira do festival. Se investirem nas músicas de Ritual de Lo Habitual, estejam certos de que será uma ótima apresentação.
A seguir, ouça Ritual de Lo Habitual na íntegra:
