Gravadora: Top Dawg/Interscope
Data de Lançamento: 25 de fevereiro de 2014

ScHoolboy Q é um rapper cujas letras não são muito diferentes de um Rick Ross ou 2Chainz: na maioria delas fala de grana, dos buchichos inerentes ao hip hop e de mulheres, das belas às ‘bitches’. O que o diferencia é seu tato que mescla obscurantismo e interessante dinâmica instrumental nas batidas.

Modulando entre breakbeat (“Los Awesome”, uma bela cortesia de Pharrell) e baterias que habitam entre o rock e funk (“Hoover Street”), o grande atrativo do terceiro disco do rapper, Oxymoron, é propor diversas perspectivas do que o músico pensa do mundo a partir da construção de seus samplers.

As boas sacadas nas rimas surgem nas canções que têm formato mais simples de instrumentação. É o caso de “Break The Bank” que, apesar do refrão pegajoso, fica mais interessante a partir do momento que ele diz ‘cuspir mais duro que concreto’ e clama pelo trono tão exclamado por Kendrick Lamar.

Sobre Kendrick, vale dizer que ScHoolboy Q não reforça o coro de quem procura sua ruína. Os dois são de diferentes regiões da Califórnia e, se Q agora está em uma grande gravadora, provavelmente foi por conta da repercussão de good kid m.A.A.d city (2012), distribuído pela mesma Interscope. Kendrick aparece em “Collard Greens”, surpreendendo o mesmo Q com uma pitada de espanhol e letras tão rápidas quanto a pronunciação de ‘doo-doo-doo-doo’. Na velocidade, Kendrick ganha. E convence mais na abstrata grandiosidade que o artista principal de Oxymoron.

Uma das conquistas mais notórias do disco é fugir de qualquer prerrogativa de mixtape. Temos um ScHoolboy Q bem assertivo e versátil no andamento das faixas, indo do senso criminal em “What They Want” ao rapaz comum que arrepende de seus atos em “Blind Threats”, onde a produção de Raekwon favorece uma passagem mais pessoal do rapper: ‘Mas se Deus não me ajudar, essa arma irá/Eu juro que vou achar meu caminho’.

Se Q almeja lugar de destaque no gênero, deve seguir melhor os caminhos propostos por “Prescription/Oxymoron”. Dialogando com as insanidades de Danny Brown quando o assunto é chapação, Q narra em primeira pessoa a trajetória decadente de quem depende das drogas para seguir em frente. Após a melancólica primeira parte, onde o refrão é cantado por um bebê, o clima west-coast toma conta da reviravolta estabelecida pelo cantor. Pode não parecer, mas esta é uma das parábolas mais pessoais de Q: um semirretrato da influência que sua filha lhe exerceu pessoalmente após passar por um difícil período vendendo drogas.

Claro que “Prescription/Oxymoron” conquista seu destaque no disco por não ser uma canção escrita de forma fácil, como aparenta “Hell of a Night” ou “Fuck L.A”. Expelir demônios individuais tem sido um paradigma cada vez mais quebrado dentro do hip hop.

ScHoolboy Q tem todos os motivos para celebrar e impressionar com suas batidas envolventes e criativas mas, se busca relevância e longevidade, precisa focar melhor suas inspirações musicais. “Prescription/Oxymoron” é uma boa direção. Se aliado à expertise de produção de uma “Hoover Street”, então, temos um cara que tem condições de batalhar pelo trono. Mas, ainda não.

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A seguir ouça Oxymoron, de ScHoolboy Q, na íntegra: