
George Clinton comemorou seus 70 anos de idade no Black na Cena
Pontualidade e organização podem ter sido alguns dos pontos-chave para que o Black na Cena Festival conquistasse aquele público diminuto, porém animadíssimo, na fria noite de ontem (muitos agradeceram por não ter chovido). Antes de conferir as principais atrações, clássicos de Jorge Ben (“Umbabarauma”) e Tim Maia (“Ela Partiu”) ao som de Farufyno deram início a série de shows às 20h30.
Na verdade, a primeira noite do festival foi marcada por pot-pourris de artistas que são considerados os maiorais da black music brasileira, como Jorge e Tim. Em sua apresentação, Tony Tornado apareceu fulminante como um James Brown à brasileira em meio a um instrumental que lembrava “Hot Pants”, do papa. Mas não resistiu e se entregou ao som do síndico tijucano, tocando alegres versões de “Azul da Cor do Mar” e “Primavera”.
Os irmãos Max de Castro e Simoninha tocaram alegremente as principais canções do pai Wilson Simonal e Sandra de Sá animou geral com toda a sua irreverência característica. Tudo no cronômetro do tempo.
Quando Seu Jorge apareceu, todos se aglomeraram e evocaram seus principais hits, como “Carolina”, “Chega no Suingue” e “Mina do Condomínio”. Chegou a declamar os versos pungentes de “Negro Drama”, dos Racionais, mostrando ao público de todas as raças que estavam ali presentes que o preconceito ainda existe sim. Muitos ficaram admirados, simbolizando a condescendência ao discurso do estiloso cantor que tocou 1h de show.
Seu Jorge tocando “Chega no Suingue”:
Só que a grande surpresa surgiu quando os membros do Public Enemy, Flavors Flav e Chuck D, apareceram em frente à plateia para anunciar a entrada do lendário George Clinton. Eles tocaram juntos, celebraram os 70 anos do pai do p-funk e fizeram uma grande fuzarca no palco, misturando psicodelia, festança e funk, muito funk mesmo.
Clinton conseguiu emendar muito bem os clássicos das bandas Parliament (mais funk) e Funkadelic (mais psicodélico), provocando as mais esquisitas danças. Com um capacete Jaspion/Star Wars, o guitarrista Michael Hampton acendeu as fogueiras com solos eletrizantes, chegando a mandar a viajante “Maggot Brain” com a autoridade de um Eddie Hazel dos anos 70.
Em pouco mais de 1h30 de show, diversos clássicos como “Cosmic Stop”, “Flash Light” e os grandes hits do disco Mothership Connection, “P. Funk (Wants To Get Funked Up)” e “Give Up The Funk (Tear The Roof Off The Sucker)” foram ovacionados pelo público. Em meio a tanta festança, a organização preparou um bolo para o aniversariante e Flavors Flav agitou um parabéns que soava meio desconexo: alguns cantavam em português, outros em inglês.
Só que, nesta festança dionisíaca, o maior presente foi a apresentação esquizofrênica de George Clinton.
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Hoje tem mais, hein! Confira a programação para o segundo dia do Black na Cena:
16h – Xis, Marcelo Mira e Rincon Sapiência 17h30 – Lee “Scratch” Perry, Mad Professor e Roto Roots 19h – Marcelo Yuka 20h30 – Public Enemy 22h – Banda Black Rio com Criolo, Negra Li e Slim Rimografia 23h30 – Pato Banton 1h – Jorge Ben Jor
2h30 – Olodum e Carlinhos Brown
E amanhã, o último dia:
14h – Russo, Bocage e Banda Soul3 15h – Sandrão RZO 16h – Thaíde e Funk Como Le Gusta 17h – Naughty by Nature 18h – Racionais MCs 19h – Method Man
20h – Redman
