
Em Instagram, foto de Gil Silva da apresentação da Banda Black Rio
Super Nova Samba Funk, o último disco da Banda Black Rio, foi lançado por um selo inglês lá fora no ano passado, e só agora chega ao Brasil. Por isso, existia uma certa ânsia para conferir a banda ao vivo mostrando as canções deste novo disco por aqui.
A qualidade dos instrumentos de sopros e cordas estava muito boa (tanto que era uma delícia deixar-se levar pelos solos de trompete de Marcus Manfredi), mas o piano de William Magalhães merecia um volume de destaque
Ontem, no segundo dia de suas apresentações no Sesc Pinheiros, a banda liderada pelo maestro e multiinstrumentista William Magalhães (filho de Oberdan, que criou a BBR em 1976) teve como convidado o músico Chico César, que chegou a tocar em três canções do álbum.
Recriar ao vivo um disco cujo destaque são as participações especiais (que incluem Gilberto Gil e Caetano Veloso) não é tarefa fácil. Mas a Banda Black Rio parece ter um tato raro de só chamar músicos feras para tocar na banda. Eles mantiveram o groove aceso de diversas formas: seja nos solos jazzísticos no Rhodes de William, na guitarra rítmica funkeada de Maurício Caruso ou nos slaps tenebrosos de Rodrigo Barboza.
Se Elza Soares (que participou do primeiro dia da apresentação no Sesc Pinheiros, dia 9/3) fez falta com seus vocais urrantes em “Isabella”, a cantora Angélica Sansone entrou com sua linda voz operística. Teve um momento em que ela puxou a canção com tanta vibração, que a plateia ficou admirada. Don Pixote também cantou com o grupo, emendando boas rimas em “Quem Vem Lá”.
Entretanto, por mais que houvesse uma dinâmica de palco entre William e o vocalista Jadiel Oliveira, hábil a ponto de comandar um show business se quisesse, o público parecia contemplar uma apresentação de música erudita.
Quando William remontou o grupo em 2001, conseguiu estabelecer uma abertura pop com a possibilidade de interpor vocais em meio à instrumentação dançante que vai de gafieira à soul music. Noutras palavras, o som é absolutamente swingado; escutar um disco tão dançante como Super Nova Samba Funk e não se permitir movimentos inusitados – nem que seja rente a uma cadeira confortável – acaba fugindo de qualquer proposta do verdadeiro baile negro que representa a Banda Black Rio.
Sem medo de errar, William disse que cantou ali pela primeira vez a canção “It’s the Time”, que tem uma letra toda em inglês. Seguindo no mesmo tom baladeiro, o convidado Aleh Groove fez uma boa substituição de Seu Jorge em “Lindos Olhos”.
A qualidade dos instrumentos de sopros e cordas estava muito boa (tanto que era uma delícia deixar-se levar pelos solos de trompete de Marcus Manfredi), mas o piano de William merecia um volume de destaque. Dava para ouvir ele solar, mas às vezes parecia que o Rhodes ficava ofuscado pela complexa sessão rítmica do coletivo.
E, como estamos falando de Banda Black Rio, não poderia faltar o tema de “Maria Fumaça”, do disco de mesmo nome lançado em 1977 com Oberdan como líder. “Mistério da Raça” e “Nova Guanabara”, do álbum Movimento, fizeram o papel de levantar toda a plateia.
Hoje, a banda faz a última apresentação no Sesc Pinheiros, com participação de Ed Motta.
