
01 Look…The Sun Is Rising 02 Be Free, A Way 03 Try To Explain 04 You Lust 05 The Terror 06 You Are Alone 07 Butterfly, How Long It Takes To Die 08 Turning Violent 09 Always There…In Our Hearts 10 Sun Blows Up Today (bonus)
11 All You Need is Love (bonus)
Gravadora: Warner/Bella Union





Um disco que se chama The Terror e termina com um cover de “All You Need is Love” (The Beatles) já vem com o enredo pronto: ele vai trafegar pelo horror até encontrar o fim do túnel, tão ensolarado como dá a entender a capa.
É exatamente isso que faz o The Flaming Lips em seu 13º disco. No entanto, você deixaria de assistir a um filme de Hitchcock só porque a mocinha não morreu no final? Julgaria a intensidade de um suspense japonês comparando-o a fracassos hollywoodianos?
The Terror é um disco denso, e isso você já deve ter cansado de ler em outras resenhas por aí. Mas estamos diante de uma densidade que mexe com sentidos. A intenção de Wayne Coyne não é fazer você cantar “Be Free, A Way” como um indie desvairado (público que se dispõe a ouvir a banda). As batidas repetitivas e o vocal etéreo estão lá para lhe perturbar: você acha que está livre, mas está preso. Ouvir essa música quando se perde em um local pode causar uma sensação de horror, e é aí que vemos o como ela soa eficaz.
“Look… the Sun is Rising”, que abre o disco, não é nenhum terreno inexplorado para quem já colocou Embryonic (2009) alguma vez nos fones de ouvido. As ranhuras sujas que a permeiam estão ali para ofuscar: você será levado para uma dimensão desconhecida. As guitarras de Steven Drozd confrontam e sobrecarregam os vocais alienígenas (e alienantes) de Coyne. Não demora muito para a guitarra também entrar na repetição, sugerindo um espaço aviltante – tão grande, enigmático, inabitado.
Os 13 minutos de “You Lust” são regidos a experimentações com instrumentos de arco em barulhos eletrificados, drones e mudanças vocais de Coyne – elementos que acompanham as improbabilidades de nossos sentidos quando estamos diante do medonho. Quem gosta de post-rock e drone tem aqui um caldo cheio. Se preferir os argumentos que chamam a música de cansativa, bom, resigne-se ao medo e perca uma baita aventura.
A faixa-título é punitiva. O ouvinte espera o chicote estralar (com os efeitos sinistros que simulam sombras e cinzas), enquanto Coyne tenta minimizar o que vem por aí com vocais aveludados: ‘Pelo menos nós permaneceremos pelo terror/Nos ajuda a tomar o controle’.
Claro que ninguém vai segurar a mão nessa empreitada – e isso fica evidente em “You Are Alone”, em que a voz simbolizada pela paz de Coyne diz que ‘você não está sozinho’, enquanto o temor do seu eu não cansa de repetir: ‘você está sozinho’.
“Butterfly (How Long It Takes to Die)” é um respiro pra quem gosta de guitarras. Aí, o ouvinte já está ambientado no desconhecido e encontra uma espécie de prazer. Em”Turning Violent”, o que parecia afastamento nas canções anteriores logo se torna uma experiência prazerosa. Também há arte no terror – não importa se no meio de tudo isso entrem barulheiras distorcidas em contraste com uma espécie de gospel às avessas.
Chega uma hora que confrontar o terror não soa mais como uma experiência amedrontadora. Adoramos nomear de ‘incríveis’ as histórias em que passamos por maus bocados justamente porque, no final, tudo ficou bem. The Terror também sinaliza esse momento nos primeiros acordes de “Always There… in Our Hearts”, indicando a abertura que está por vir. Ela resume muito bem alguns aprendizados dessa jornada: ‘Sempre lá, em nossos corações/Medo da violência e da morte/(…) Alguma coisa boa que não podemos controlar, não podemos controlar, não podemos controlar’. O sol nem apareceu ainda e você já sabe que valeu a pena.
Aquela capa toda alaranjada e azul ganha todo sentido com “Sun Blows Up Today”, momento indie-festivo que pode entrar facilmente para playlists de pistas de dança por conta da bateria agitada de Kliph Scurlock e pelo vigor retomado de Coyne. Ela é citada como faixa-bônus do disco, mas se encaixa adequadamente como uma celebração da experiência obtida nas faixas anteriores. Assim sendo, nada mal a opção pelo cover de “All You Need is Love”.
Melhores Faixas: tem que ouvir todas.
ERRATA:
• Como bem disse o leitor Marco, as duas últimas canções do disco são faixas-bônus. Ou seja, a obra do disco deve ser entendida redondamente de “Look…The Sun Is Rising” a “Always There… In Our Hearts”. Disse no começo do texto que o cover de “All You Need is Love” tem um propósito, e reforço essa teoria. Mas, antes de desvendar o disco, é importante saber a ficha técnica do álbum. Obrigado, Marco, por lembrar.
