
O ano já está quase acabando, o Na Mira do Groove já completou sua lista de melhores do ano, e o que mais falta? Pois é… quase nada! Só que, ao contrário da maioria das publicações que fazem menções honrosas antes de publicar suas listas, decidi inverter a lógica: publico somente agora alguns dos cinco discos que ficaram de fora das listas.
Confira: Os 50 Melhores Álbuns Internacionais de 2011
Saiba quais foram os 5 discos internacionais que não integraram a seleção dos 50 melhores do ano – mas que também são de qualidade indiscutível. Eles estão em ordem alfabética:

Bon Iver
Bon Iver
Gravadora: 4AD/Jagjaguwar
Gênero: Folk/Experimental
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Talvez um dos discos mais falados do ano tem todos os motivos para figurar nas listas de melhores do ano. O segundo disco da banda do introspectivo Justin Vernon é uma trilha por dentro de seus mistérios interiores que, ao mesmo tempo que explora a melancolia, encontra com novas possibilidades sonoras encantadoras, feitas para você ouvir enquanto contempla o jardim de inverno ou as montanhas.
Por que não está na lista: Simples. Por mais que seja um bom disco, é melancólico demais e vai contra todas as prerrogativas da palavra ‘groove’, além de ser de difícil audição.
Faixa: “Calgary”

Wondervisions
Delicate Steve
Gravadora: Luaka Bop
Gênero: Experimental/Acid Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Quem gosta de Tropicalismo, vai se identificar na hora com este disco. Muito pouco falado por blogs e sites de música, Wondervisions é um disco rápido, que te leva a uma outra dimensão. Mais ou menos como se você se adentrasse aos efeitos mirabolantes de um portal e ficasse preso por lá durante 30 minutos enquanto viaja no tempo. Tem muitas referências dos Beatles, Arnaldo Baptista, R&B e Dirty Projectors.
Por que não está na lista: Não tem a força necessária para se impor como um disco obrigatório de se ouvir. Mas ele vai te cativar de alguma forma, saiba disso.
Faixa: “The Ballad of Speck and Pebble”

Mirror Traffic
Stephen Malkmus and the Jicks
Gravadora: Matador
Gênero: Rock
Texto: Crítica Rolling Stone
Depois de afirmar publicamente, assim que acabou com o Pavement, que não gostaria mais de se prender a uma possível ‘fórmula’ que tenha encontrado com o grupo de rock dos anos 1990, Stephen Malkmus decidiu seguir novos caminhos e acertou em vários pontos: vide os resultados com Real Emotional Trash e Face the Truth. Com Mirror Traffic, parece que ele se aproximou novamente com a sonoridade do Pavement – talvez influenciado pelo retorno deles no ano passado, que inclusive culminou em um show no Planeta Terra 2010. E ele continua surpreendendo.
Por que não está na lista: Vejo Mirror Traffic como um retorno desnecessário às origens. Malkmus estava indo tão bem. Apesar de canções ótimas como “Tigers” e “Senator”, o que se vê é quase um Pavement remodelado à década de 2010.
Faixa: “Tigers”

Revelator
Tedeschi Trucks Band
Gravadora: Sony Masterworks
Gênero: Blues/R&B
Texto: Resenha do Woodstock Sound
Um disco grandioso, diga-se de passagem. As linhas de blues entram em conexão com o folk e o funk de forma que transporta os anos 60 para os anos 2000. A banda tem 11 integrantes, entre eles o lendário guitarrista Derek Trucks e o baixista Oteil Burbridge, que tocam no Allman Brothers Band, além da esposa de Derek, Susan Tedeschi, que também toca guitarra e mostra um vocal potente que casa com o groove da banda.
Por que não está na lista: Porque o Na Mira do Groove começou a ouvi-lo um dia destes. Senão, estaria entre os 20 primeiros, não tenha dúvidas.
Faixa: “Until You Remember”

Conatus
Zola Jesus
Gravadora: Sacred Bones
Gênero: Dreampop
Texto: Crítica Na Mira do Groove
Se em Stridulum II Zola Jesus mostrou novas possibilidades para a música pop com seu jeito gótico de cantar, com Conatus ela veio para fincar essa ideia. Mesmo sendo representante única do gênero, a cantora russo-americana consegue prender o ouvinte com seu dreampop trêmulo e, ao mesmo tempo, conciso. As batidas eletrônicas são meros estilhaços que dão força à melodia. Em entrevista, ela disse estar à procura do pop perfeito – isso com apenas 23 anos. Está em um bom caminho – ouça a faixa “Vessel” e comprove.
Por que não está na lista: Zola precisa amadurecer certas ideias. Acredito que ela ainda está distante de cativar o ouvinte, ainda que ela use táticas musicais que pretendem hipnotizá-lo. Quando você não é pego por isso, passa batido e ignora. Talvez umas batidas a mais dariam a força necessária ao seu som.
Faixa: “Vessel”
