
Justin Vernon, o vocalista do Bon Iver
Gravadora: 4AD/Jagjaguwar




Alguns diriam que é um pouco tarde para se falar de Bon Iver quando já se tem quase dois meses de lançamento, mas ainda é tempo.
Este disco provavelmente seria catalogado na seção de folk music, só que é muito mais que isso. Todo o conceito dele está escondido naquela selva da capa, talvez o refúgio imagético que Justin Vernon teve ao compor as canções deste disco. Violões, banjos, sax, pianos, synths, cada um destes instrumentos é um mero detalhe das profusões sonoras que marcam um dos álbuns mais criativos de 2011.
“Holocene”
“Michicant”
A voz de Vernon soa magnificente junto aos violões, mas fica ainda melhor quando supõe que o vocalista está perdido em uma selva de desilusões complexas. Em alguns momentos, ele se fixa a pensar próximo à lareira de uma casa de campo pensando nos feriados (“Holocene”) ou remonta a imagens tórridas como ‘cruzar os seios’ ou um cachorro da raça pincher com a pele para dentro em “Calgary”.
Entretanto, por mais que Bon Iver tenha sido elogiado a rodo por aí, ele é um disco de difícil audição não apenas pelas construções poéticas, mas mesmo por sua sonoridade. É carregado de uma tensão que soa natural e – pasmem! – não chega a ser tão intimista assim, a não ser se levarmos em consideração o estilo vocal de Vernon. De fato, está mais para algo surrealista do que para algo sentimental, e é aí que está todo o mérito.
O grupo Bon Iver também se sente confortável em inventar lugares esquisitos que sirvam como pano de fundo para atos letárgicos como pressionar a atadura e visualizar o veneno no sangue em “Michicant”.
Bon Iver é um disco estranho, curioso, denso, improvável e abstrato. Está mais para uma selva recém-explorada do que uma zona de conforto de Justin Vernon. Explorar tudo isso junto com suas 10 faixas é um grande mistério a ser resolvido.
Melhores Faixas: “Holocene”, “Michicant”, “Calgary”, “Beth/Rest”.
