Steve Marion, o tal do ‘delicate’ Steve. Foto de Robert Scheuerman

Delicate Steve – Wondervisions

Possivelmente, Wondervisions seja o álbum mais estranho que você vai escutar em 2011. Quiçá o mais estranho que ouviu na vida. Apesar de ter uma essência experimental, para nós, brasileiros, que acompanhamos um pouco da evolução do rock psicodélico com junções africanas, é um álbum que poderia muito bem dialogar com referências estéticas dos Mutantes, bases tropicalistas e até mesmo um pouco de choro.

Delicate Steve e sua brincadeira neste disco que remete ao clássico Innervisions, de Stevie Wonder, lançou uma obra admirável. Já deixo logo avisado: o álbum não tem nada a ver com a pérola de Stevie Wonder: está mais para uma incursão desconexa de Frank Zappa aos ritmos psicodélicos, ou mesmo um George Harrison mais rebelde e incrustado em suas referências exóticas.

“Sugar Splash” liga as distorções da guitarra aos compassos acústicos do violão, fazendo prevalecer o lado mais esquizofrênico da canção. Já em “The Ballad of Speck and Pebble”, vemos distintas referências sonoras se juntarem de forma mais profícua. A canção evidencia bem o lado Beatles do grupo, com trechos que lembram “Lucy In The Sky With Diamonds” em meio a uma profusão rítmica de percussões africanas. Provavelmente Harrison gostaria do resultado viu…

A semelhança com a psicodelia à brasileira aparece na faixa-título do álbum com um riff que lembra bastante aqueles vindouros anos 60, com os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista trabalhando nos melhores acordes com equipamentos considerados de baixa qualidade na época. Apesar do membro Steve Marion não citar em nenhum momento a música brasileira como influência, atingir essa sonoridade acabou sendo o resultado possível depois de tanto escutar Dirty Projectors, Alice Coltrane, The Beatles e bandas clássicas de rock psicodélico.

Fica meio difícil rotular um trabalho tão diferente como Wondervisions. Talvez rock psicodélico e soul fossem as terminologias mais aproximadas, tal qual Dirty Projectors (influência declaradíssima de Steve). Essa união soa perfeita e adequada, principalmente quando se escuta a emotiva “Don’t Get Stuck (Proud Elephants)”.

Ouça abaixo o disco na íntegra e tire suas conclusões:

Confira também o estranho vídeo de “Wondervisions”, produzido em parceria com Nat Baldwin, do Dirty Projectors:

Melhores Faixas: “The Ballad of Speck and Pebble”, “Wondervisions” e “Don’t Get Stuck (Proud Elephants)”.