A exemplo do que fiz com as menções honoráveis dos melhores discos internacionais do ano, lógico que também teria que haver um espaço para 5 discos nacionais que não integraram a lista dos melhores de 2011. Alguns que estão por aqui só vieram parar nos ouvidos do moderador há pouco tempo, o que acabou ficando de fora da contagem final dos melhores.

Mas, enfim, o legal não é classificar: mas, sim, conhecer a amplitude da nossa música nacional. Todos os discos citados abaixo são de audição essencial.

Veja também: Os 30 Melhores Álbuns Nacionais de 2011

Confira a seguir as menções honrosas em ordem alfabética de artistas:

Bambas Dois: Brasil Jamaica

BiD

Gravadora: Soulcity Produssas/Universal Music
Gênero: World Music/Reggae/Frevo
Texto: Resenha do Gramofone Virtual

Encontre pelo site oficial

BiD é o nome de Eduardo Bidlovski que, depois de cinco anos do lançamento de Bambas & Biritas Vol. 1, finalmente retorna com uma esperta junção entre ritmos brasileiros nordestinos com o reggae, dub e dancehall da Jamaica. Para que tudo entrasse nos conformes, é lógico que ele chamou um timaço: Ki-Many Marley junto a Dominguinhos em “Brasil (Little Sunday)”; os experientes The Heptones em “Music For All”; Chico César e Jah Marcus em “Little Johnny”, além de participações de Anelis Assumpção, Karina Buhr, Siba, Luiz Melodia, entre outros. Ainda que o idioma inglês seja predominante nas músicas, instrumentos como rabeca, acordeom e violão estão lá para mostrar a potência musical brasileira.

Por que não está na lista: o moderador não ouviu com tanta atenção, já que ele foi lançado quase no final do ano. Conheci por meio de um comentarista deste blog, o Zé Henrique. E agradeço bastante, porque não dava pra passar 2011 sem citar este belo disco.

Faixa: “Music For All”

Elefantes na Rua Nova

Caçapa

Gravadora: Garganta Records
Gênero: Forró/Baião/Coco
Texto: Resenha do blog Realejo

É som instrumental feito pra dançar com muitos passos ousados. O músico Rodrigo Caçapa revisita forró, baião, frevo, coco e samba deixando que a aura popular de cada um destes ritmos prevaleça. Tem alguns pequenos efeitos eletrônicos que entram nos xotes, mas nada que vá atrapalhar as danças mais criativas que este belo disco pode suscitar. Há muitas violas distorcidas e uma forte pegada percussiva que vem do afro-beat. Não tem como ficar parado ao ouvir estes oito temas repletos de beleza, nostalgia e encantamento.

Por que não está na lista: Ainda que tenha muitos elementos de cultura popular, ele não representa bem uma novidade. A qualidade é indiscutível; não colocá-lo em nenhuma lista de melhores do ano é um erro enorme. Mas o Na Mira do Groove correu esse risco – um risco que veio com um pesar danado.

Faixa: “Rojão nº01″

Canções de Apartamento

Cícero

Gravadora: Independente
Gênero: MPB
Texto: Cícero e as pequenas coisas que perfazem a solidão

Além de abrir as portas de seu apartamento para o ouvinte, Cícero possibilita uma conversa sobre assuntos sutis, como discutir Caetano no parque ou ‘colorir algum lugar com um balão’. Uma referência próxima para ouvir o primeiro disco solo do ex-integrante da banda Alice é o som de Marcelo Jeneci, Mallu Magalhães ou até mesmo um pouco de Radiohead da era Pablo Honey. Ainda que os violões acabem caindo para a morbidez em momentos como “João e o Pé de Feijão” e “Ensaio Sobre Ela”, Canções de Apartamento é o retrato íntimo de uma pessoa solitária com visão otimista em relação ao mundo.

Por que não está na lista: É um disco prazeroso de se ouvir, mas o acho íntimo demais.

Faixa: “Vagalumes Cegos”

Orí

Douglas Germano

Gravadora: BAC Discos
Gênero: Samba
Texto: Resenha da Revista Música Brasileira

Encontre pelo site oficial

Junto a Romulo Fróes, Kiko Dinucci e Rodrigo Campos, Douglas Germano representa a nova geração do samba paulistano. Diferente de seus contemporâneos, ele tem uma proximidade maior com a música de raiz, daquelas que dá vontade de montar uma roda de samba – principalmente em momentos em que ele canta “Abram caminho para o rei/Sorria em vez de se curvar” nas fortes percussões de “Oba Iná”. Assim como a música de Rodrigo Campos, é repleta de simbologias imagéticas (vide “Damião”) e muitas crônicas de rua, fazendo um upgrade necessário a um ritmo que jamais morrerá. Soa quase como uma extensão de Os Afrossambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes.

Por que não está na lista: Mesmo sendo bem tradicional, o disco é essencial nos dias de hoje. O Na Mira do Groove só começou a ouvi-lo recentemente.

Faixa: “Damião”

Recanto

Gal Costa

Gravadora: Universal Music
Gênero: MPB
Texto: Crítica do blog Notas Musicais

Cantoras e intérpretes nacionais pipocam por aí, disso todos sabemos. Mas, quando se fala de Gal Costa, é sempre bom ficarmos atentos, ainda que ela não tenha gravado canções relevantes por um bom tempo. Novamente ela selou uma parceria com Caetano Veloso e, surpreendentemente, trouxe sua voz límpida a arranjos eletrônicos em melodias mais palatáveis aos ouvintes. “Recanto Escuro”, por exemplo, tem uma pulsação firme, mas os violões que entram ao meio dão uma inquietude sepulcral que só reforçam a beleza.

Por que não está na lista: Infelizmente não pude ouvir com devida atenção, já que também foi lançado no fim do ano. Mas respeite todas as listas em que este disco estiver entre os primeiros. Realmente, Gal se superou.

Faixa: “Recanto Escuro”