
John Cale se apresenta com seu violino em show datado de 2006
Não se enganam aqueles que afirmam que o Velvet Underground foi a banda mais obscura do rock nos anos 1960. Eles mudaram tudo de forma gradual, poucos perceberam à primeira vista. E, hoje, não tem como não ver resquícios da obra deste grandioso grupo em qualquer ato novo acerca do gênero que eles moldaram.
John Cale foi um dos gênios por trás do Velvet, ao lado de Lou Reed. Como um grupo de rock é um ambiente pequeno demais para esses caras, acabaram se separando, e John Cale seguiu em uma carreira solo sombria, repleto de inovações instrumentais que só reforçam a alcunha de gênio. Talvez o grande destaque de sua carreira solo, até hoje, seja o álbum Paris 1919, de 1973.
Depois do lançamento de Words for the Dying (1989), que trazia composições orquestrais e muita música experimental com a ajuda da produção de Brian Eno, John continuou às sombras fazendo shows pela Europa. Conquistou parte da crítica especializada com seu retorno em Hobosapiens, lançado em 2003 pela EMI, seguindo a cartilha avant-garde repleta de poesias urbanas que estavam conectadas com os novos questionamentos naquele momento sobre a humanidade – principalmente a tecnologia. Em 2005, lançou o disco blackAcetate.
Eis que agora John Cale está de volta com sua magia contida, composições irrequietas e produções perturbadoras (perceptível em “Hey Ray”) no EP Extra Playful, que deixa no chinelo qualquer ato que tenha surgido nos últimos anos que se considera novo. John Cale é velho e atual ao mesmo tempo: se renova, sem perder o mel musical que escorre em suas veias.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o compositor lançará um álbum novo pela gravadora Double Six no ano que vem.
Ouça na íntegra o EP Extra Playful, que contém apenas 5 faixas, no player abaixo:
