
Nevilton abriu show do Green Day em agosto deste ano
O Nevilton começou mais ou menos como uma explosão. Apesar de terem iniciado as atividades em 2007, o pavio começou a se encurtar quando eles lançaram no ano passado o EP Pressuposto, que foi muito bem falado por sites especializados em música daqui.
Um resumo do Nevilton: “Música brasileira e rock livre de preconceitos. Síntese de um montão de influências, desde Noel Rosa até The Black Keys”
A faixa-título tem muitos requintes pop, mas é levada por solos esparsos junto a riffs pegajosos, algo que oscila entre a jovialidade do Autoramas e a firmeza estética do rock’n roll do Pixies. Em dois minutos e meio de canção, já temos um resumo do que é o Nevilton, grupo encabeçado por um membro de mesmo nome (Nevilton de Alencar), que toca guitarra e faz os vocais. Para completar o já consagrado ‘power trio’, Thiago Lobão assume o baixo – e também canta – e Flipi Stipp toca bateria.
Eles vieram da desconhecida Umuarama, interior do Paraná, e já tocaram em cidades conhecidas e afastadas do Brasil, algo bem ambicioso para uma banda que, à distância, ainda cheira a talco. (Inclusive, eles abriram um show para o Green Day neste ano, para mais de 40 mil pessoas.)
Todo o vigor roqueiro é aliado a referências distintas que vão de Anjos do Inferno a Black Sabbath. “Música brasileira e rock livre de preconceitos. Síntese de um montão de influências, desde Noel Rosa até The Black Keys”, resumiu o trio em um especial de novas bandas do jornal carioca O Globo.
Neste ano, eles solidificaram o terreno com o lançamento do álbum De Verdade, que traz algumas composições do EP anterior, como “Pressuposto”, que abre o disco, e “Vitorioso Adormecido”, que exalta um personagem anônimo ao dizer que “aos poucos ele ganha e cresce (…)/Um cara como você”. A faixa pode até servir como antítese à conhecida “Cara Estranho”, dos Los Hermanos, que vai por uma linha mais depreciativa nessa mesma construção narrativa.
Muitas canções já são conhecidas do público. “Bolo Espacial” cita os prazeres de se ouvir Ramones e Nirvana. As linhas de guitarra são nostálgicas no sentido grunge da coisa, e a banda fala sobre os velhos tempos de loucura. “Delicadeza”, escrita quando Nevilton e Lobão estavam no último ano do colegial, ganhou arranjos que enfatizam a verve roqueira do grupo.
Não há nenhuma pretensão no som do Nevilton. Poderíamos até dizer que é uma Jovem Guarda moderna temperada pelo que há de melhor do rock clássico. É mais ou menos por aí que se entende a alcunha da banda de ‘rock presidencial’. “Esse negócio de música autoral não dá grana. Então, no começo, em vez de comprar cerveja, a gente comprava um conhaque barato chamado Presidente. Aí pegou: fazemos o rock do conhaque Presidente”, confessou Nevilton em entrevista à Rolling Stone.
Portanto, a hora de pular é agora. Abandone os argumentos negativos sobre o rock nacional e deixe-se levar pelo som divertido e dançante do Nevilton. Para fazer o download do álbum De Verdade, visite o site da Trama Virtual.
