Paul Hayworth é um músico australiano que participa da cena indie como guitarrista da banda Freud, mas tem como maior dote ser um especialista em multimídia, trabalhando com trilhas de filmes e projetos teatrais para a Sony e a The Legendary Bitmap Brothers.
Alguns de seus achados musicais formam parte do catálogo de seu selo, a Electrocuted Wilma Tunes. Com uma dúzia de trabalhos já lançados sob diferentes projetos, Hayworth também contribui bastante para a música experimental.
O lançamento mais recente do selo é o álbum Ultra Violet que, segundo o engenheiro sonoro, foi gravado há cerca de 20 anos ‘marcando um ponto decisivo de imaginação’.
Gravado em uma fita de quatro-faixas de baixo custo, canções como “Radiation”, “White Sun” e “Black Hole” habitam uma esfera distinta: é psicodelia e space-rock em levadas progressivas.
Para que o trabalho ficasse pronto, Hayworth remasterizou tudo num equipamento de 16 canais, provavelmente inserindo mais guitarras e drones para intensificar o conceito do disco.
As camadas são substanciais – mal se ouve as vozes. A grande ênfase reside em dar liberdade às melodias, de modo que elas possam “continuar relevantes na ciência de hoje, aprofundando-se nos maiores problemas de sobrevivência da humanidade”.
Parece bem complexo, mas a bela capa colorida (arte de Nicole Boitos) e os desdobramentos das faixas entregam um trabalho que me soa otimista – apesar de isso não ser tão usual quando se fala de sci-fi.
(E, por favor, não confundam otimismo com uma espécie de rock ensolarado ou algo do tipo. Há densidade e os desfechos não são óbvios. Talvez, nem mesmo esteja certo em afirmar que é otimista.)
Ouça a seguir Ultra Violet, de Paul Hayworth, na íntegra:
