
01 World Upside Down 02 One More 03 Cry No More 04 Children’s Bread 05 Bang 06 Guns Of Brixton 07 Reggae Music 08 Outsider 09 Rebel Rebel 10 Ruby Soho 11 Blessed Love 12 Ship Is Sailing
13 One More (Alternate Version)
Gravadora: Universal




Tudo estava a favor: 40 anos de The Harder They Come (trilha sonora de filme que mostrou o reggae ao mundo), nomeação recente no Rock’n Roll Hall of Fame, 50 anos de independência da Jamaica, a valorização do R&B no mainstream (Adele, Amy Winehouse), o que direcionou a tal ‘grande massa’ aos instrumentos metálicos e vozes mais ‘puras’ sem o autotune…
Fazia 8 anos que Jimmy Cliff não lançava nada inédito. Para tanto, Rebirth veio numa boa hora.
No entanto o título do álbum, apesar do artista defender que é parte de uma nova era em sua música, não significa novos ares ao reggae, ritmo que ele ajudou a globalizar. Significa, sim, o renascimento a partir de sua tradição.
Afinal, quando se fala de reggae, na maioria das vezes é necessário voltar aos anos 1970 não apenas para contextualizá-lo, mas para mostrar exemplos de músicas que influenciam ainda a produção de hoje. É como se o reggae não sofresse esteticamente com o passar dos tempos – talvez nem poderia.
Mais ou menos como aquele vaso precioso da sala de estar: ninguém o pega com as mãos. Se alisar, passa o pano.
Jimmy Cliff faz exatamente isso em seu novo disco. Ele alisa o reggae, mas não mancha. Deixa-o tinindo. Tinindo e trincando.
O disco começa com “World Upside Down”, que fala da maluquice do mundo, repleto de ‘calamidade ecológica’, ‘fome’, ‘injustiça’ e ‘tirania política’. São temas latentes no reggae, todos sabemos, mas as alterações no vocal tenor de Jimmy dão um vigor raro à temas que, apesar de estarmos cansados de ouvir, pouco colocamos em prática.
“One More” é daquelas pra cantar em coro. O inglês de Jimmy, felizmente, não é tão amarrado e veloz quanto a dialética jamaicana, o que justifica sua popularização (nem Bob Marley tinha uma voz tão límpida assim!). Tanto que ela ganha uma outra versão rocksteady, mais ligadas às raízes do gênero, como bonus track. “One More” a mais, nunca é demais.
“Children’s Bread” é a letra mais politizada de Rebirth: nela está incrustada a atual situação política da Jamaica que, de acordo com o próprio Jimmy, não mudou muito nestes últimos anos. ‘Eles pegam o pão das crianças/E dão aos cachorros/E agora que os gatos engordam/Todos os ratos invadem‘.
Joe Strummer, que era amigo próximo de Jimmy, está bem representado aqui no cover de “Guns of Brixton”, um dos flertes mais evidentes do The Clash com o reggae.
Na época de London Calling (1979), Joe citou o icônico filme do regueiro com a frase certeira: ‘esse jogo se chama sobreviver/no final de The Harder They Come‘ – ou ‘no final do mais difícil eles vêm‘. Jimmy já havia interpretado muito bem essa batalha contra o sistema no filme de 1972; na canção, ele a interpreta como se estivesse dedicando com devoção a canção ao amigo, que faleceu em 2002.
Inclusive, pode-se creditar a Joe Strummer o resultado de Rebirth. Foi o lendário vocalista do The Clash que o apresentou a Tim Armstrong, do Rancid. Tim, que já havia feito cover de “The Harder They Come” e é fã confesso de reggae, assina a produção do disco. E também recebe homenagem com a versão de Jimmy para “Ruby Soho”, aqui transformada em um baile de ska que faria bastante sucesso na voz de Laurel Aitken nos anos 1960.
Com clássica distorção de cordas nas guitarras regueiras, “Reggae Music” é puro exemplo de que Jimmy Cliff tem mais preocupação em manter o reggae como forma múltipla de expressão do que ajustá-lo aos ‘anos 2000′.
Para o músico, o reggae é um estado de espírito que traz coisas boas: ‘Reggae music vai me fazer bem/E deixar tudo certo‘.
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Para ouvir Rebirth, de Jimmy Cliff, na íntegra, clique aqui.
Melhores Faixas: “One More”, “Children’s Bread”, “Guns of Brixton”, “Rebel, Rebel”.
