
Depois de tanto alarde em cima de um tal de Woodstock Brasil, finalmente chega a melhor notícia sobre o evento que li até agora. Não é confirmação de bandinha pop-que-está-louca-pra-ganhar-dinheiro de novo não. O que confirmaram desta vez é que o megaevento programado pra outubro (?) deste ano NÃO se chamará Woodstock.
Paulo Terron, do blog With Lasers, divulgou uma nota de esclarecimento dos organizadores explicando o assunto:
Nota de Esclarecimento
9 de junho de 2010
O Grupo Totalcom, de Eduardo Fischer, em parceria com a The Groove Concept, esclarece que as informações que estão sendo veiculadas na imprensa sobre a realização pelo Grupo Totalcom de um festival de música com a marca Woodstock no Brasil não são procedentes.
Em breve, o Grupo Totalcom divulgará informações oficiais a respeito de um grande movimento de sustentabilidade que envolverá, entre outras ações, também um festival de música.
Atenciosamente,
TotalCom Comunicação e The Groove Concept
Digo porque é uma boa notícia.
1. Que sentido teria colocar o nome de um evento histórico do porte de Woodstock para um show de grupos como Incubus, Green Day ou mesmo o Rage Against The Machine? Não que estas bandas atuais sejam ruins, mas não têm nada a ver com o clima paz-e-amor-e-boicote-à-Guerra-do-Vietnã que consagrou o evento em 1969.
2. Woodstock trouxe apresentações de grupos que, naquele momento, configuravam um novo cenário musical, inspirados pela psicodelia, toneladas de ácido lisérgico e influências hippie. Havia uma certa coerência colocar grupos como Country Joe and the Fish, Santana, Grateful Dead, Joe Cocker e Jefferson Airplane em uma mesma apresentação. Afinal, eram músicos que representavam o psycho-rock – mesmo o Santana, que misturava ritmos percussivos latinos em seus solos viajantes de guitarra. Já no Brasil, o nome serviria apenas para atrair milhares para reverenciar grupos que tem carreira consolidada há um bom tempo, como é o caso das bandas citadas.
3. O nome Woodstock, neste caso, não passa de uma roupagem comercial absolutamente apolítica, algo que seria condenável no berço da psicodelia em 69. Assim como aconteceu com o Rock In Rio que foi pra Lisboa, agora está em Madri e, se caso retornar ao Brasil, trará em suas apresentações Sandy & Junior (como ocorreu em 2001), Ivete Sangallo e quiçá até a Gretchen.
Segundo informações de Lúcio Ribeiro, do Popload, o evento tão aguardado será uma “versão encorpada” do Maquinária, que acontece anualmente.
É muito melhor investir em um evento atual que mostra a cara desses grupos novos e já consagrados do que tentar reviver algo que já foi enterrado, como o Woodstock e o Rock In Rio.
