
01 Sure Shot 02 Tough Guy 03 B-Boys Makin’ With The Freak Freak 04 Bobo On The Corner 05 Root Down 06 Sabotage 07 Get It Together 08 Sabrosa 09 The Update 10 Futterman’s Rule 11 Alright Hear This 12 Eugene’s Lament 13 Flute Loop 14 Do It 15 Ricky’s Theme 16 Heart Attack Man 17 The Scoop 18 Shambala 19 Bodhisattva Vow
20 Transitions
Gravadora: Capitol
Data de Lançamento: 4 de junho de 1994
Na sexta-feira, 4 de maio, Adam Yauch, o MCA dos Beastie Boys, faleceu aos 47 anos em decorrência de um câncer que lutava desde 2009. Triste notícia. Como muita gente já perguntou, reforço o coro: quem nesta vida não gostava de Beastie Boys? Da nossa geração, eles tornaram-se símbolos dos melhores momentos de nossa adolescência. Ser arruaceiro e doido era legal. Ouvindo Beastie Boys no carro, festa, quarto, mp3 então… era como passar pela fonte eterna da juventude.
É difícil resumir a obra de um dos trios mais influentes do hip hop. Por isso, resolvi trazer hoje aqui para a seção Grandes Álbuns aquele que é o disco que me aproximou da banda: Ill Communication, lançado em 1994.
Impossível falar desse disco sem mencionar “Sabotage”, com aquele vídeo bombástico com MCA, Ad-Rock e Mike D trajados como detetives tarantinescos em busca de traficantes esquisitões. Tudo na direção de Spike Jonze. E a música então? Não à toa é considerada uma das mais perigosas para se ouvir enquanto dirige: dos riffs de hard rock iniciais aos scratches esquizofrênicos e gritos urrantes dignos de uma banda punk, “Sabotage” tem todos os elementos que representam perigo, destreza, explosão. Tornou-se uma das melhores músicas da banda, praticamente um hino.
Ill Communication tem um total de 20 faixas, mas passa longe de ser um disco rebarbativo. É quebrado por várias sessões instrumentais, que vão do P-funk de “Futterman’s Rule” (clara influência de Catfish Collins, ex-guitarrista do Parliament) à psicodelia de instrumentos escoceses, com um toque de lounge, em “Eugene’s Lament”, que traz um pouco da caracterização budista, religião de MCA.
Os vocais hip hop do trio podem figurar em distintos gêneros. Veja a interpolação entre flautas e scratches em “Flute Loop”, ou então a influência jazzística de “Get It Together”, assegurada pelos vocais de Q-Tip, do A Tribe Called Quest, grupo de rap que melhor trabalhou essa junção de rap com cool jazz.
Ou então o hard core de “Heart Attack Man”, que poderia figurar em um disco dos Bad Brains.
Em “Do It”, o Beastie Boys parte para um funk estilizado em um rap cru, com direito a sampler de um som do Billy Joel: “We Didn’t Start the Fire”.
Além de ser o disco que melhor condensa o ecletismo e a anarquia dos Beastie Boys, Ill Communication, aos 18 anos de idade, é, na minha opinião, um dos melhores discos de hip hop de todos os tempos. Isso porque tem uma relação com minha formação musical e influência de gêneros. A discografia dos Beastie Boys é muito vasta: corra atrás também de Paul’s Boutique, Hello Nasty! e o debut Licensed to Ill. Ou mesmo o novíssimo Hot Sauce Commitée Pt. 2, que você pode ouvir na íntegra aqui.
Ouvir Beastie é sempre uma brincadeira. Daquelas que não enjoam nunca.
