01 You’re Gonna Miss Me 02 Roller Coaster 03 Splash 1 04 Reverberation 05 Don’t Fall Down 06 Fire Engine 07 Thru The Rhythm 08 You Don’t Know 09 Kingdom Of Heaven 10 Monkey Island

11 Tried to Hide

Gravadora: International Artists
Data de Lançamento: Novembro de 1966

Hoje em dia o termo psicodélico para definir um som é muito escapista. Porque a ideia sempre foi essa. Afinal, como el padre do subgênero Roky Erickson explicou, “é quando o olho encontra a pirâmide” que chegamos a ela.

Nada de exatidão. Imprevisto ou doidivanas, certo é que rock psicodélico foi praticamente o rótulo não apenas da cena de São Francisco nos anos 1960, mas de toda aquela década.

Jimi Hendrix, Jefferson Airplane, Big Brother & Holding Company, Country Joe & The Fish, Quicksilver Messenger Service… Que direção haveria a cada uma dessas bandas sem o 13th Floor Elevators?

Muitos creditam boa parte da importância deste álbum por conta da nomenclatura, já que foi o primeiro a surgir com o termo ‘psicodélico’. Influência direta não é, e isso se explica. Eles estavam todos em atividade em períodos similares e, se algo os unia, era um sonho: uns sonhavam com justiça, outros em como ficar chapado no dia seguinte.

Por mais que cada um dos nomes citados tenham seus méritos, foi a banda de Erickson que não só promulgou a cena, como foi a primeira a dar um tiro hermeticamente ousado: eles elevaram as drogas como substâncias expansivas mentais. Só assim o olho ‘encontraria a pirâmide’ e possivelmente o espectador entenderia a proposta do disco de estreia The Psychedelic Sounds of 13th Floor Elevators.

Tal expansão das ideias, no campo musical do 13th Floor Elevators, era refletida como ação. Algumas composições de Bob Dylan e de Hendrix evocavam um lugar imaginário sob interferência psicotrópica; no universo deste disco, o lugar vazio de uma “Fire Engine”, por exemplo, só pela possibilidade de ser preenchido de alguma forma, causa em Erickson um estranho cataclismo, um incêndio interno que o músico extravasa num poderoso acid-rock.

O fator ação não apenas diferencia a banda desse rol inteiro de rock psicodélico, como serviu de motor a outra cena que, posteriormente, negaria a psicodelia. Sim, estamos falando de punk. E, se o livro Mate-me Por Favor santifica o The Doors como um dos pilares da cena, é justamente de onde Jim Morrison mais se identifica com o 13th Floors Elevators que encontramos o eixo do psych para punk: o tom visceral das apresentações (forte de Morrison), aliada à estética garageiro-experimental do 13th, são tão sintomáticos às bandas que tocaram no CBGB quanto a crueza lírica de The Velvet Underground.

A agilidade e a energia de “You’re Gonna Miss Me” de alguma forma bateu no que seria feito em praticamente toda produção garageira pós-1967, do punk à no-wave até chegar ao dreampop. Escrita por Erickson quando ainda integrava o embrionário The Spades, foi a única canção do grupo a ir às paradas da Billboard. Faz todo o sentido que esta canção seja a porta de entradas de The Psychedelic Sounds of…: Roky diz se perder e, uma vez dentro das doideiras do disco, não tem como mais voltar.

A impressão que se tem é estar em um túnel hipnótico sem fim. O ouvinte é seduzido com o misto de tosqueira instrumental – por conta do jug eletrônico de Tommy Hall – e com os vocais tresloucados de Erickson, cuja entrega é sentida e sagazmente passada.

Uma das grandes forças do disco é tornar a ideia de psicodelia atrativa ao ouvinte. Dá vontade de chapar e atingir esse estado semiespiritual ao ouvir petardos como “Roller Coaster” e “Reverberation”.

Não tão diferente do rock que se explorava naquele momento, o 13th Floor Elevators soava muito bem como um grupo cuja ação letárgica era inspiradora – diferentemente da ideia de que o ouvinte teria que estar chapado para entender (tipo “White Rabbit”).

Naquele momento, Ericksson transparecia sua experiência empírica com as drogas. Seria ingênuo se não fosse tão empolgante, como dão a entender clássicos como “Thru the Rhythm” ou “Tried to Hide”, tiro certeiro da banda ao revestir o blues com efeitos transgressores e protoeletrônicos.

(Quanto à ingenuidade de Ericksson, o tempo lhe daria a justiça de ser reconhecido como um dos grandes compositores de sua geração e, paradoxalmente, lhe daria a injustiça de ser preso por porte de maconha, internado em uma clínica de reabilitação e lhe render uns anos sofridos de tratamento de choque.)

Dá pra quantificar às centenas o número de bandas copiosas ou influenciadas pelo 13th Floor Elevators: de Acid Mothers Temple a ZZ Top, passando por Spaceman 3, Panda Bear, Tame Impala e por aí vai.

Quase meio século depois de seu lançamento oficial, não soa retrógrado dizer que The Psychedelic Sounds of 13th Floor Elevators é a eterna trilha de uma viagem mental infinita.