Warpaint – The Fool

Por mais melancólico que The Fool possa parecer, o álbum das garotas do Warpaint é carregado de uma sobriedade sentimental que acaba servindo de contraponto à sonoridade sombria, quase medieval, dessas quatro garotas de Los Angeles lideradas por Emily Kokal.

Incursões sonoras surgem aos montes nas nove canções do álbum, mas é o baixo de Jenny Lee Lindberg que sobrepõe toda a unidade rítmica. A faixa “Warpaint” carrega o peso do pós-punk mais soturno, com uma bateria fortemente influenciada pelo jazz e vozes sutilmente ressonantes.

E quem disse que no caminho das trevas só há flagelos, desespero, maldade? Considerando que “Undertow” poderia estar inclusa em qualquer trilha de suspense pelo compasso do baixo, logo o ouvinte poderia se sentir calmo ao ouvir os versos “What’s the matter?/You hurt yourself?/Open your eyes and there was someone else” (“O que está acontecendo?/Você se machucou?/Abra os olhos e verá mais alguém”). Algo como a ponta de otimismo na proximidade do abismo.

“Bees” tem uma acentuação mais grave, com destaque para os bumbos contidos e bem pontuados de Stella Mozgawa. “Majesty” é mais experimental com efeitos de teclados, sem perder a química de cada um dos quatro átomos do Warpaint.

O folk ganha corpo na sincronização voz e violão que introduzem “Shadows”, talvez a canção mais conhecida (e legal) de The Fool. Stella e Jenny conseguem dar impulsão aos vocais de Kokal e da também guitarrista/vocalista Theresa Wayman, trafegando por caminhos obscuros da indie music com referências instrumentais que vão da new age/punk até os delírios emocionais de Jeff Buckley.

Apesar das influências atemporais em seu trabalho, o Warpaint faz um som tipicamente próximo do The xx com uma pitada de Cat Power. Com a diferença de que o quarteto de garotas busca uma inovação sonora no campo da indie music, sem medo de se perder nas cordas de guitarra acústica, nos sintetizadores ou nos singelos slaps de baixo.

Ouça abaixo, na íntegra, o álbum The Fool: