
Amy Winehouse se apresentou no Summer Soul Festival, em janeiro deste ano, no Brasil. Foto de Marco Dutra (UOL)
Tudo bem que já era esperado, mas ainda assim muitos ficaram chocados com a morte precoce de Amy Winehouse no último sábado, 23 de julho. Ainda não foi identificada a causa de sua morte, mas há suspeitas de ser uma overdose. Ultimamente, ela vinha rendendo muita grana aos tabloides (principalmente os ingleses) devido aos escândalos que vinham atropelando sua carreira como cantora.
Óbvio que Amy ficou bem conhecida depois de “Rehab”, mas ela já vinha construindo essa onda revivalista do soul há um tempo atrás, quando lançou Frank, em 2003. Contribuiu para a sua ascensão o fato de haver uma ultracompetente banda de apoio, que é o caso dos Dap-Kings.
Por mais que se crie um misticismo sobre Amy, ela não foi pioneira em nada. Nem mesmo dessa onda revivalista, que deveria ser mais atribuída a Sharon Jones (que mantém ‘titular’ os Dap-Kings) ou até mesmo a Erykah Badu se formos pensar em novas abordagens da soul music. O que ela fez foi trazer tudo isso pro mainstream, ainda que por motivos controversos.
Amy Winehouse tinha um vozeirão de diva. Não é nenhum disparate compará-la a Sarah Vaughan, Billie Holiday ou Ella Fitzgerald, talvez também pela história turbulenta de vida que teve
O interesse sobre sua obra veio, inicialmente, por ela ter exposto demais sua vida turbulenta para a imprensa. Todos queriam saber quem era aquela garota que relutava em entrar em uma clínica de reabilitação, como dizia os versos de “Rehab”, com aquele vozeirão que faria muita gente pensar que se trataria de uma negrona corpulenta.
Sem falar que o seu último disco é confessional ao extremo, falando de desavenças amorosas, desilusões, temas sombrios, solidão… todo esse intimismo resultou na sua obra-prima Back To Black, um dos melhores discos dos anos 2000, inegavelmente. Não é disparate algum compará-la a Sarah Vaughan, Billie Holiday ou Ella Fitzgerald, talvez até mesmo por sua história de vida dramática semelhante a elas, como bem lembrou a cantora Zélia Duncan em artigo para a revista piauí.
Ela realmente passava por todos aqueles turbilhões em sua vida pessoal e emotiva (ainda mais depois da prisão de seu namorado Blake Fielder-Civil, que a largou), trazendo uma carga pesada de verdade às suas composições. Talvez por isso ela esteja tão a frente de outras cantoras do gênero, como Duffy ou Joss Stone.
Assisti ao show dela no Summer Soul Festival no início deste ano, mais movido pela presença da também habilidosa Janelle Monáe. Infelizmente, Amy não estava tão inspirada assim, como já era de prever, mas fez uma apresentação grandiosa sim. Quem foi, não se arrependeu. Quase todas as canções de seu último álbum foram tocadas, ela interagiu (ainda que muito pouco) com a plateia, chegou a arriscar uma dancinha e – olhem só – tocou bis! Foi algo além do esperado, pelo menos pra mim…
Com todo esse currículo, ela acaba de chegar ao panteão do tal ‘clube dos 27′, que já tem como integrantes Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Brian Jones. Todos sabemos que ela tinha habilidade de sobra e que estava desperdiçando sua carreira. Amy Winehouse poderia ter se superado ainda mais se entrasse nos eixos e não abusasse tanto de substâncias tóxicas.
Mas, infelizmente, sua carreira foi interrompida. Para ficar na memória, veja o vídeo de “You Know I’m No Good” em sua apresentação na Arena Anhembi, no começo do ano em São Paulo.
