É sempre uma festa quando sabemos que há chances de bandas como Arctic Monkeys ou Foo Fighters permanecerem como headliners de festivais. O Lollapalooza 2012 finalmente veio para suprir essa carência dos fãs, mas já deu sinais de desorganização ao realizar uma pré-vendas confusa em que os compradores, inclusive, tiveram seus CPFs e dados expostos após um ataque hacker.

Perry Farrell, dono do Lolla e frontman do Jane’s Addiction, banda que também tocará nesta edição brasileira, tentou esclarecer as coisas pelo Twitter, mas já não adiantava mais. Nessa confusão, eles acabaram vendendo ingressos pro show do Figueirense contra o Corinthians (‘porque o Timão vai dar show’, disseram). Até que, finalmente as pré-vendas foram fechadas. Se quiser ir no Lollapalooza, dê sorte de comprar no início de dezembro.

Mas, realmente, vale a pena ir?

Digo que sim, mas por motivos bem menos excêntricos do que ver Dave Grohl ou Alex Turner nos palcos. Jane’s Addiction provavelmente será a banda mais quente de todo o evento, se esquecer o repertório dos dois últimos discos (The Great Escape Artist, lançado neste ano, é um tiro na culatra) e balançar com os clássicos de Nothing’s Shocking e Ritual de Lo Habitual. Aí vai ser bem bom!

O MGMT fez uma boa estreia com Oracular Spetacular, mas provou que é uma banda mediana com o lançamento de Congratulations no ano passado. Sem falar que não consegue sustentar um bom show em cima dos palcos. Não passa de holofote. E tem grande potencial para te decepcionar.

Minha grande expectativa é ter a oportunidade de assistir um show do TV On the Radio. Além de terem no repertório os excelentes Dear Science e Return to Cookie Mountain, eles lançaram o ótimo Nine Types of Light neste ano, mostrando que têm versatilidade de sobra tanto para levantar os ânimos para mais de 50 mil pessoas (ouça “Repetition”, “Wolf Like Me”e “Red Dress”), na mesma proporção em que consegue emocionar e arrancar lágrimas com faixas como “Crying” e “I Was a Lover”. Vai ser pesado!

O line-up de bandas nacionais também está bom. Os organizadores decidiram chamar grupos mais velhos – e clássicos – ao invés de apostarem em novos músicos. Tudo bem que Blubell está lá, mas bem que poderia ter espaço para bandas como Nuda, Pélico ou Los Sebozos Postizos. Mas gostei de ver, em um mesmo line-up, Marcelo Nova, Velhas Virgens, Wander Wildner e Garage Fuzz. No mínimo, será animado.

(Quanto ao protesto de Lobão em relação ao festival, acredito que não passa de excentricidade. Essa coisa de ‘horários ruins’ para bandas nacionais é um argumento bem válido, mas o próprio público que vai a shows e festivais deste porte vão mais para conferir as apresentações internacionais. Sem falar que não acho nenhum desprestígio ver um grupo nacional se apresentando antes que os gringos. É até bom, porque evita batida de cotovelos com fanáticos.)

Também aposto nas apresentações de grupos indie que representam as novidades, como é o caso do Foster the People e Cage the Elephant. Mas é bem mais atrativo ver os shows de Joan Jett e do maluquíssimo Eugene Hütz a frente do Gogol Bordello, uma das melhores novidades da música punk dos últimos anos. Friendly Fires até que é uma bandinha bacana, mas não passa muito disso. Prefiro ter a oportunidade de rever (pela milésima vez) O Rappa e curtir o Pavilhão 9.

E aí, ficou empolgado com o Lollapalooza brasileiro? As vendas devem começar a partir de 4 ou 5 de dezembro.