O baterista Richard Ribeiro tem uma boa bagagem: é músico de apoio das bandas de Gui Amabis, Pélico, Marcelo Jeneci, entre outros.

No entanto, as ideias de um novo projeto tiveram suas primeiras raízes por volta de 2006, quando trabalhou com o trompetista Rob Mazurek e alguns membros do Hurtmold (que formam o São Paulo Underground).

Conversando com um dos guitarristas do Cidadão Instigado, Régis Damasceno, ele criou o Porto.

Ainda que a guitarra em alguns momentos protagonize as incursões musicais, o som do duo trafega por camadas que vão do jazz ao progressivo. Efeitos de vibrafone e a opção de usar a bateria mais como apoio que ritmo fazem de Odradek, o primeiro disco do duo, uma viagem espacial caótica e psicodélica. (O Porto já havia lançado um EP em 2008: Fora de Hora, com Renato Ribeiro nas guitarras.)

“O que mais me atraiu nesse projeto foi a questão de trabalhar com menos elementos. Fugir do mais comum de ter baixo, teclado ou algum instrumento de sopro”, disse Richard ao blog Amplificador, do jornal O Globo. “Eu sou baterista, então a bateria é natural. Quando eu estava começando a compor, precisei de um instrumento melódico pra poder tocar. Aí pensei num vibrafone, que me permite dividir a função. Toco bateria, conduzo a música e toco os temas”.

Ou seja, enquanto Richard fica a cargo das principais composições, Damasceno contribui com improváveis linhas de guitarra em sobreposição às ideias.

Dividido em oito faixas, Odradek tem cerca de 38 minutos e se firma como uma das obras mais instigantes da música experimental feita por essas bandas atualmente.

O álbum foi produzido por Bruno Buarque (também baterista) e pelo próprio Richard Ribeiro, com masterização do renomado Fernando Sanches, do estúdio El Rocha.

Ouça Odradek, do Porto, no player a seguir. O download pode ser feito de forma gratuita no BandCamp oficial do duo.