Gravadora: Independente
Data de Lançamento: 14 de abril de 2014

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Os paulistas do Pink Big Balls têm todos os elementos necessários para um rápido acúmulo de fãs: fazem música jovem, bem produzida, tocam bem e tem todo o appeal pop.

No sentido ‘certinho’ da coisa, o segundo disco da banda, Janelas, é a materialização do sonho de quem quer viver de música, o passo inicial certo para quem projeta uma carreira prolífica.

Em um país tão difícil de obter sustento e reconhecimento por meio da arte, o fazer por conta própria da forma certa é a premissa básica para obter reconhecimento posterior pelas grandes majors. (Não deveria ser assim.)

Se a banda integrasse o programa Estrelas, da TV Globo, conseguiria facilmente a aprovação dos jurados Lulu Santos, Fábio Jr. e Ivete Sangallo. Canções como “Queridinha” e “Meus Sentimentos” são moderadamente corpulentas e garantiriam boas apresentações ao vivo com suas composições pegajosas, boa base de instrumentação e vocais (de João Arantes) que ficam no meio-termo entre límpido e enérgico.

Em linhas gerais, Janelas abraça gêneros vigorosos como Jovem Guarda e soul music no formato mais pop possível.

Totais representantes dos ideais da nova geração – que se cai no ‘modismo de não querer nada com nada’ em “Tardes Preguiçosas” e ovaciona o centro chique de SP em “Augusta” – o PBB atingiu relativa versatilidade musical graças aos esforços de Lucas Silva e Rodolfo Braga nas guitarras (e bons conselhos dos produtores Sidnei Garcia e Jota Resende).

É difícil encontrar séquitos reais do pop rock nacional, mas os bons entusiastas espalhados por aí vão se deliciar com o que faixas como “Cachos” e “Ver para Crer” têm a oferecer: são baladas para casais apaixonados jovens e descontraídos. “Hey Hey Hey”, que começa numa linha folk, aparenta toque mais elaborado de maturidade, mas escorrega no clichê quando entra o refrão. Fica a cargo da dupla de guitarristas manter a canção de pé.

Se é novidade estética que você procura, talvez Janelas não seja o disco para você. Ele supre a reticência de se encontrar bandas de qualidade menos por conta de sua produção, que é invejável, e mais pela versatilidade de conectar o pop com outros gêneros. Dos caminhos melódicos trilhados por “Onde Encontrei” ao vigor roqueiro de “PBB F.C.”, a banda de Itapeva mostra que as limitações não são uma barreira.

Ouvindo Janelas, imagina-se a potência dessa banda ao vivo. Um monte de jovens reunidos, com um som agradável e identificando-se com as letras numa nice. Janelas, que possui um viés mercadológico, proporciona toda essa sensação sem dificuldades. Com capacidade de arrancar bons semblantes (e boas vibrações).