
01 Tap Out 02 All The Time 03 One Way Trigger 04 Welcome to Japan 05 80′s Comedown Machine 06 50/50 07 Slow Animals 08 Partners In Crime 09 Chances 10 Happy Endings
11 Call It Fate, Call It Karma
Gravadora: Rough Trade

Estava tudo imperfeito em 2001, principalmente para os norte-americanos que tiveram uma dimensão de sua vulnerabilidade no fatídico 11 de setembro.
Naquele tempo, o rock já havia sofrido seu 11 de setembro com o suicídio de Kurt Cobain e dificilmente se reencontraria para se reestabelecer no mercado.
Ótimos discos foram lançados entre 1994 e 2001 dentro do gênero, não tenham dúvidas, mas ainda faltava entregar a alguma banda a alcunha de ‘salvadora’. Isso veio com Is This It, e a meninada, garotada e até mesmo alguns tiozões puderam se abraçar novamente diante de um disco carregado do espírito rock’n roll (à sua maneira, claro).
Se os Strokes se sustentariam como uma banda sólida, somente o tempo ia mostrar. E mostrou. Com um currículo decadente, expôs a fragilidade e incompetência da banda no quesito criativo.
Muitos se apaixonaram com aquela estrutura de guitarras ágeis e vocais que lembravam ótimos momentos dos anos 70 nos gritos de Julian Casablancas em “Take It or Leave It”. Comemoraram novamente em “Reptilla”. Ficaram com o pé atrás depois de “Electricityscape” e, finalmente, começaram a suspeitar da trajetória da banda com a tentativa de renovação vinda de uma “Machu Picchu”.
Angles foi a prova de que os Strokes, quase tão intactos quanto o seu país de origem, também teriam o seu 11 de setembro. Apesar do Na Mira estimular as novas escolhas de uma banda que já soava desgastada nessa crítica do disco, a banda percebeu o desapontamento dos fãs e preparou rapidamente Comedown Machine na tentativa de endossar que a banda queria mesmo era respirar novos ares.
Isso é admirável em muitos casos. Mas o novo disco sinaliza o irrefutável: de que a banda não tem, repito, competência para renovar o som que resgatou há mais de uma década atrás.
Se as gravações do disco anterior mostravam um clima de tensão entre os integrantes e o líder, Comedown Machine é uma reatada nociva. É como se os instrumentistas cedessem às vontades de Casablancas para retomarem as atividades. Isso é comum em namoros e até amizades; mas, quando envolve a indústria fonográfica e uma legião nada pequena de fãs, os efeitos nocivos são percebidos de imediato.
Muitos devem saber que Casablancas lançou em 2009 um trabalho solo, Phrazes For the Young, mais inspirado pela música eletrônica retrô do que pelo rock. Faixas como “Tap Out” e “50/50”, deste novo disco, revelam uma aproximação com essa ‘fase’ (ou ‘vontade’) do vocalista. É curioso em um primeiro momento, mas se torna uma chatice desnecessária quando se fala de Strokes, aquela banda que trouxe frescor às ‘guitar songs’.
Apesar de ser bem associada ao tecnobrega, “One Way Trigger”, a horrível primeira amostra do disco, tem um pézinho lá nos anos 1980. Bom, se a ideia era resgatar algo daquele tempo, trouxe o que havia de pior. A voz em falsete e os synths são bem dançantes, algo que agrada o público da banda. Mas se mostraram como uma colocação forçada.
Ali se percebe a estrutura rítmica dos Strokes, que prima pela bateria repetitiva e riffs contínuos, até que a guitarra solo assume a parada e eleva a canção. Um ponto positivo pela tentativa; dois negativos pelo resultado que beira o esdrúxulo.
O que Comedown Machine nos prova é que os Strokes só são bons em fazer aquilo que sempre fizeram. Canções como “All the Time” e “80’s Comedown Machine” merecem bons adjetivos por serem as forças propulsoras do disco. É ouvir e bater o martelo: os Strokes são capazes de serem bons, novamente. É só não tentarem se reinventar. (Quando vão abaixar o nariz pra perceber isso?)
Chega a ser um crime contra a arte pedir a repetição de um grupo. Mas esse é o único caminho de existência possível para os Strokes. Eles entraram em uma roda que vai girar sempre no mesmo local. Há possibilidade de deslocamento, mas as direções tomadas estão totalmente erradas. Talvez a banda tenha que parar de dar muita atenção às excentricidades ultrapassadas de Casablancas e procurar um produtor que indique novas possibilidades e estimule a cachola de cada um deles. (Porque aqui Gus Oberg parece não ter autoridade o suficiente para dar pitaco em nada.)
Até hoje os Estados Unidos não superou sua data maldita – e nem vai fazê-lo tão cedo se continuar desperdiçando tempo e dinheiro numa política belicista.
Talvez seja hora dos Strokes reerguerem novamente suas torres, nem que seja com o mesmo modus operandi de antigamente. Se tentarem se reconstruir de modo diferente, acredite, logo tudo vai se transformar em cinzas.
Melhores Faixas: “All the Time”, “80’s Comedown Machine”.
