Alguns dos grupos mais consagrados da década de 2000 retornaram neste ano – alguns de formas vergonhosas (caso de Strokes e Arctic Monkeys), outros retrabalhando novas ideias e conceitos musicais (hum… Arcade Fire?).

A busca pela novidade estética tem desabado a carreira de alguns artistas. Talvez porque alguns insistem nos mesmos erros de um ou outro pedante dos anos 1980, década que ainda tem muito a ser revisitada para servir de boa influência. (Todavia, dos próprios 80, Sade é um bom exemplo de que se pode seguir caminhos interessantes na soul music daqui pra frente.)

A música eletrônica ainda é um campo que tem se mostrado profundamente fértil: em um ano com discos arrebatadores de Factory Floor e Jon Hopkins (nenhum deles na lista), o Oneohtrix Point Never ainda se sobressai em suas experimentações. O Disclosure lançou um disco razoável, apesar de tornar-se chato em menos de meia dúzia de audições. Já o Daft Punk só acertou mesmo em ter Nile Rodgers ao seu lado…

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Enfim, sem mais tergiversações, confira a seguir as 10 menções honrosas aos melhores discos internacionais de 2013:

THR!!!ER

!!!

Gravadora: Warp
Gênero:
Eletrônica/EDM
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Fazer da eletrônica uma possibilidade de demagogia musical foi uma das maiores falhas de Random Access Memories. Para suprir a decepção de um dos maiores nomes da EDM, temos o Chk Chk Chk (é como se pronuncia !!!), que faz das pistas um lugar típico para a diversão de “One Girl/One Boy” e “Slyd”. A capa em mergulho faz todo o sentido, pois THR!!!Er nada mais é que um disco de verão, pra cima e cheio de energia, encontrado tanto no techno de “Get That Rhythm Right”, quanto nas guitarras de “Station (Meet Me At The)”.

Ouça: “One Girl/One Boy”

m b v

My Bloody Valentine

Gravadora: Independente
Gênero: Shoegaze
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Encontre pelo site oficial

Não tem jeito. Por mais influente que o shoegaze tenha se tornado nos últimos 20 anos, o grande mestre do gênero ainda é Kevin Shields. Há muito se espera o sucessor do divino Loveless (1991), e o resultado é que m b v não soa nada como um disco típico de 2013. Ele poderia ter sido lançado há 10 ou 20 anos e ainda assim surgiria como um dos grandes lançamentos do ano. No disco, Shields permite um encontro mais bem-sucedido com melodias (“She Found Now”) ao invés de se entregar completamente às barulheiras das guitarras. Mas, quando o faz, temos uma “Only Tomorrow”, digna de ser uma das melhores de toda a carreira da banda. Até o pop é retrabalhado aqui – ainda que jogado aos escombros, como dá a entender “New You”.

Ouça: “Only Tomorrow”

…Like Clockwork

Queens of the Stone Age

Gravadora: Matador
Gênero: Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Essa afirmação talvez tenha mais sentido para o público feminino, mas é praticamente assertiva: Josh Homme tem alguma coisa que instiga a libido. “Keep Your Eyes Peeled” tem um riff de guitarra que nos evoca uma estranha volúpia: mais ou menos como aquele momento em que vamos nos despir no ato sexual. Tal clima é sucedido por um rock tão vigoroso quanto sedutor, da balada de “The Vampyre of Time and Memory” ao hit pop “My God is the Sun” (que faz valer o termo stoner-rock). As baquetas de Dave Grohl nos remontam aos ótimos tempos de Songs For the Deaf (2002), mas o que o passar dos discos realmente mostrou ao QOTSA foi a arte de envelhecer e continuar criando um rock instigantemente… sedutor.

Ouça: “Keep Your Eyes Peeled”

New

Paul McCartney

Gravadora: Universal
Gênero:
Rock
Texto: Resenha da Rolling Stone Brasil

As releituras jazzísticas de Kisses On the Bottom (2012) mostraram um Paul McCartney nostálgico às suas raízes, fazendo valer as descrições que ligam sua voz aos anos 1950. Mas engana-se quem pensa que o velho Macca está se entregando aos passos da inevitável velhice. O título entrega: New é um disco rejuvenescedor, retemperando Revolver (1966) e os ótimos tempos com os Wings. A abertura “Save Us” evidencia de cara que o ouvinte vai embarcar numa trajetória aos anos de glória de Macca. E que balada encorpada é “Hosanna”, hein!

Ouça: “Save Us”

Honeys

Pissed Jeans

Gravadora: Sub Pop
Gênero:
Rock
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O Pissed Jeans é o puro retrato da clareza estética da Sub Pop: riffs pesados, vocais enérgicos, bateria dinâmica e um rock’n roll de agitar as espinhelas. Aos 25 anos, a gravadora mantém-se relevante como sempre e Honeys, quarto disco do Pissed Jeans, é o puro exemplo de um frescor roqueiro que deve continuar ao longo de muitas décadas. Incendeie e permita que seus cabelos balancem com as pancadas de “Bathroom Laughter” e “Male Gaze”. O vigor é tanto que até uma faixa intitulada “Romanticize Me” vem carregada de um escombro instrumental difícil de deixar alguém parado.

Ouça: “Bathroom Laughter”

Antipode

Popstrangers

Gravadora: Carpark
Gênero: Rock
Texto:
Tradição do rock neozelandês com guitarras punk pesadas

Um dos principais feitos do novo disco do Popstrangers é mostrar a força do rock neozelandês, por mais que encontremos alguma similaridade com Husker Dü e Shihad. Por isso mesmo Antipode carrega o fardo de noventista, mas apresenta uma bela simbiose entre melodias sentimentais com guitarras sujas num espectro diferente. Talvez seja a influência do atual dreampop em faixas como “In Some Ways” e “Occasion”, mas fica o convite para conhecer mais de perto o que acontece ao lado da Austrália.

Ouça: “Occasion”

Woman

Rhye

Gravadora: Polydor
Gênero:
R&B/Neosoul
Texto: Resenha do Fita Bruta

Sade prossegue influente como nunca: na beleza de encontro do neosoul com o eletropop em Jessie Ware, na fórmula para o Quadron e no R&B sedutor do duo Rhye, formado pela canadense Milosh e pelo músico Robin Hannibal (que não por coincidência também toca com Quadron). Doces melodias e vocais no ápice da sedução fazem de Woman uma estreia propícia para momentos carinhosos, apesar do R&B estar em sua forma mais tácita. Ainda assim é possível brindar ao som de “Last Dance” ou dançar agarradinho com “3 Days”.

Ouça: “Last Dance”

Silence Yourself

Savages

Gravadora: Matador
Gênero: Rock/Pós-Punk
Texto: Resenha do Pequenos Clássicos Perdidos

Sonoridade pós-punk com vigor punk. A estreia do Savages é um soco no estômago tanto para quem acreditava que o termo pós-punk havia defasado, como para quem sentia falta de vocais femininos guturais no gênero. Se pensarmos que She Wants Revenge e PJ Harvey abriram outras possibilidades num rock feminino, não sobra nada de inovação em Silence Yourself. Mas quem se importa quando a qualidade vocal, junto a uma excelente atmosfera sombria e riffs de guitarra, estão em jogo?

Ouça: “Marshal Dear”

One Night in Africa

Tangerine Dream

Gravadora: Eastgate
Gênero: Eletrônica/Ambient/Experimental
Texto: Misticismo africano no oitavo disco do Tangerine Dream em 2013

Adquirir via Discogs

Durante um ano você tem duas opções: ou acompanha a variedade de lançamentos de álbuns, ou acompanha tudo o que o Tangerine Dream faz. Nem arrisco dizer em que ordem One Night in Africa se encaixa na discografia dos alemães (este é o oitavo da banda só em 2013), mas é a obra mais espirituosa de Edgard Froese neste ano. As batidas e percussões de “Madagascar” e “Rain Prayer” nos fazem imaginar como seria a sonoridade aos arredores do Rio Nilo. O disco “tributo para o fato positivo de sua existência humana e sua paixão sem fim” mostra uma eletrônica sci-fi junto a elementos tribais. Mais de quarenta anos depois, um dos grupos mais importantes do krautrock ainda ensina como buscar novos ares musicais. E, o melhor: com o mesmo frescor de outrora.

Ouça: “Madagascar”

Made Up Mind

Tedeschi Trucks Band

Gravadora: Masterworks
Gênero:
Blues/R&B
Texto: Crítica Na Mira do Groove

O segundo disco do Tedeschi Trucks Band veio para comprovar a maestria de Susan e Derek em busca de ritmos tradicionais norte-americanos. Blues, country-rock e soul music entram na soma para agradar tanto fãs de Neil Young e Crosby, Stills & Nash, como os afeiçoados ao som da Stax Records nos anos 1960. O fato de Derek Trucks ter tocado com o Allman Brothers Band deixa canções como “Whiskey Legs” e “Idle Wind” ainda mais deliciosa aos nossos ouvidos, pelo tempo certo da guitarra junto a solos excitantes. Ainda que a sonoridade seja a grande potência de Made Up Mind, a força propulsora está na voz de Susan Tedeschi, ápice de refinação e emoção.

Ouça: “Made Up Mind”

[Menções Honrosas] | [#30 – #21] | [#20 – #11] | [#10 – #1]