Gravadora: Hemlock
Data de Lançamento: 24 de fevereiro de 2014
Começa com “5 Wheels” ao som de sirenes policiais. Logo em seguida, entra o techno quebrado de “Drop It On the One”. Em “Sing a Love Song”, pulsa o sentimento no bass, instigado pelo vocal dub jamaicano.
As coisas começam a entrar nos eixos em “Doubles”, um techno minimal com pequenas ranhuras. Por ser a quarta faixa, não é de surpreender que o ouvinte esteja habituado a uma suposta mudança de rumos estruturais. Termina. Entra “Wet Wool” e percebemos que o tom de urgência do início do disco vira pó e dá origem a uma ambientação menos plastificada, mas não menos improvável.
E é da quarta faixa em diante que o Untold, projeto de Jack Dunning, chega a algo próximo de linear.
Para se chegar a um bom resumo do que representa Black Light Spiral, segundo disco do cara, interprete a capa de forma pragmática: o momento exato em que um tijolo espatifa um cofre. É a imagem fragmentária que adquire mil palavras para descrever o disco.
Mas não é bem a descrição que vai ajudá-lo na jornada de interpretar o que realmente significa Black Light Spiral. O fator sensorial fica mais aguçado ao desvendar a forma com que Dunning explora o bass e as batidas.
Gêneros vão e vêm neste registro. O Untold revive o drum’n bass em sua forma mais seca e menos dançante em “Strange Dreams”. “Hobthrush” tem doses de acid house, mas se firma melhor numa proposta techno-ambient, termo que nem existe, mas que se aloca às modulações de barulho rítmico e intersecções ao fundo, assemelhando-se a vidraças que se quebram aos poucos. É a mais pesada do disco, talvez a melhor vitrine de um trabalho fora de qualquer padrão eletrônico-comercial.
Tudo é quebrado de forma que, se por um lado parece ser improvável e repentino, por outro soa espontâneo. Um tanto grotesco, mas curiosamente original.
Dos eletrônicos experimentais contemporâneos, o nome mais próximo ao Untold é Oneohtrix Point Never, mas apenas no fator execução – e não no fator estético. Porque as fragmentações em Black Light Spiral não são destacadamente propositais, tampouco entram no clima bucólico eventualmente encontrado no trabalho de Daniel Lopatin. São, isso sim, a síntese de uma realidade obscura e fantasmagórica. Absurdamente violenta, como as batidas de “Hobthrush”, e ligeiramente fugaz, como captamos em “Ion”.
