
Björk em apresentação do disco Biophilia
Gravadora: One Little Indian





Por mais que Björk sempre se aventure em trabalhos conceituais, é ao menos previsível a abordagem que a islandesa irá tomar. Ela sempre se disse aproximada com o naturalismo humano, sendo a tecnologia apenas uma consequência dessa aproximação.
Não que Biophilia seja igual aos outros trabalhos: em Vespertine, a cantora nos trouxe suas impressões do mundo exterior a partir de seu interior; já Volta, seu último disco de estúdio, mostrava a cantora em uma viagem pela feminilidade da forma mais crua possível, distante de suas próprias idiossincrasias.
Biophilia mostra o contato de um ser humano com o cosmo universal, provavelmente uma amostra pessoal da cantora das atitudes que poderíamos tomar se um dia, por exemplo, viéssemos a extrair água de Marte.
Nessa dinâmica, há diversos contrapontos sentimentais que estão genuinamente representados pelas batidas pesadas em cima de vocais gélidos e tensos, como ela exibe em “Crystalline” – que corre como um meteoro em movimento atingindo pequenas zonas de impacto em sua trajetória, até que extrai resultados mais catastróficos com as batidas de jungle e drum’n bass.
Tem algumas referências de música clássica como base de um equilíbrio humano e cosmológico em “Cosmogony”, até penetrar em cavidades nunca dantes navegadas em “Hollow” que, repetindo o que disse no primeiro faixa a faixa do disco, remete a uma aura espacial típica de um Space Invaders desconfigurado.
“Cosmogony”
“Hollow”
A maioria das batidas foram criadas por programas de computador, ainda que nossos ouvidos possam se enganar com um violoncelo módico em “Thunderbolt” ou o efeito de uma flauta em tom contínuo em “Dark Matter”.
Todas essas incursões, aparições e abstrações fisiológicas são parte de um possível contato humano com seres de outro universo. O outro pode ser frio; pode ser que a humanidade progrida. Ou pode ser que não passe de ânsia, como dá a refletir a última faixa do disco, “Solstice”, que demarca estações opostas de um universo que, assim como nós, meros humanos, mantém uma rotina.
Melhores Faixas: “Crystalline”, “Hollow”, “Sacrifice”, “Mutual Core”.
