CD 1 01 To Be Kind 02 Just a Little Boy 03 Coward 04 She Loves Us! 05 Oxygen CD 2 01 The Seer/Bring the Sun/Toussaint L’ouverture 02 Nathalie Neal 03 Kirsten Supine (demo)

04 Screen Shot (demo)

Gravadora: Young God

O Swans é a maior banda do mundo, e nem é preciso ir muito a fundo em sua carreira para saber disso. Já se vão 30 anos desde o disco de estreia, Filth, numa trajetória em que a evolução se faz presente numa marcha gradualmente lenta.

Discos como Cop (1984) e Greed (1986) duravam pouco mais que uma faixa apenas de The Seer (2012), mas já cravaram a estética do Swans de marteladas astronômicas, colocando em jogo gêneros como metal, industrial e rock alternativo.

Desde sempre, Michael Gira e companhia já sabiam como estupefazer com uma proposta que, se por um lado era extremada, por outra era bastante eficaz em cooptar o ouvinte a uma atmosfera sem precedentes.

Trinta anos depois, essa proposta foi ainda mais potencializada.

A década ainda nem chegou na metade e The Seer já se impôs como um dos trabalhos mais importantes dos anos 2010. Foi surpreendente até mesmo para quem já pirou com clássicos como White Light From the Mouth of Infinity (1991), ligando a estrutura longeva do post-rock com uma proposta bem orgânica de supor evoluções, pirações e decaídas numa mesma canção.

Ao vivo, a sinfonia destruidora do Swans ganha uma força imensa. Pelo menos é a impressão que temos ao ouvir Not Here/Not Now, disco ao vivo lançado em diversos formatos (todos esgotados para compra) que registra a atual fase da – repetindo – maior banda do mundo.

O disco inicia com “To Be Kind”, um drone imagético que põe o ouvinte na galáxia própria da banda. Gira canta como se fosse o ser divino dessa galáxia, não sem antes pratadas de bateria e acordes tensos de guitarra sonorizarem essa amplitude de espaço.

“Just a Little Boy” entra com o clarinete alarmante de Thor Harris extraindo notas típicas de um free-jazz, até que a bateria de Phil Puleo dê a diretriz da canção. Gira, como de costume, arregaça as cordas vocais, deixando o ouvinte ainda mais hipnotizado.

Faixa de encerramento do ótimo Holy Money (1986), “Coward” ganhou uma versão mais extensa com guitarras complementares. Ainda que venha sobrecarregada de peso, a faixa é como um breve descanso para o ouvinte, porque mais pancadas vão surgir.  Nisso, a inédita “She Loves Us!” cumpre seu papel. Um longo drone simula fogos de artifício, antes de a faixa adquirir um tom obscuro e deixar que as guitarras em slide invadam o espaço como meteoritos. Michael Gira só vai cantar a partir dos oito minutos, momento em que toda a orquestra da destruição se rende às suas insanidades.

A única canção de The Seer a fazer parte do repertório de Not Here/Not Now é a faixa-título. No disco de 2012, a faixa tem 32 minutos; aqui, ela forma uma ponte com “Bring the Sun” e “Toussaint L’ouverture”, totalizando 44 minutos e meio de um jogo de sonoridades cabais e tensões apocalípticas. A pulsação é firme, como se jogasse groove num post-rock. O clima dark-ambient é notável, mas sugere aberturas musicais tanto para solavancos de bateria e guitarra (momentos catárticos de “The Seer”), como para a melancolia libertadora encontrada após os 30 minutos de canção.

Ainda que a proposta do Swans seja registrar a intensidade de duas apresentações (em Melbourne, na Austrália, e no festival Primavera Sound, na Espanha), Not Here/Not Now traz dois takes acústicos, “Kirstin Supine” e “Screen Shot”, que também cumprem o papel de exibir o modus operandi de composição do grupo.

Diferente do que fazia há três décadas atrás, o Swans pensa na estrutura da canção como uma completude estética. Eles preparam o ouvinte, antes de despejarem seus arroubos musicais (nos primeiros trabalhos havia apenas o arroubo em faixas de 5, 6 minutos).

“É apenas organicamente o que tem que acontecer na música”, disse Gira numa entrevista ao Pitchfork no ano passado. Isso faz falta na música atual, mas não é por suprir tal celeuma que o Swans se mantém firme e forte como a melhor banda do mundo na atualidade.

O que é, então? Ouça Not Here/Not Now e busque suas respostas.