
O Pavement sempre foi uma banda que viveu às sombras mesmo em seu áureo período nos anos 1990, quando conseguiu rechear o rock alternativo com letras inteligentes e sarcásticas – nem sempre de fácil acesso para o público mainstream. Os integrantes interromperam o grupo em 1999 e, agora, voltaram com a mesma postura indiferente e, por vezes, até irrisória com alguns desavisados que criam rotulações que não condizem com o trabalho do grupo (chamá-los de alternativo, por exemplo).
Pouco mais de dez anos depois, o Pavement retorna levantando a mesma polêmica que sempre rondou a banda: seriam eles a verdadeira definição do rock noventista? O blog Vulture da New York Magazine trouxe essa discussão à tona com definições bem interessantes: apesar da rejeição ao (e do) mainstream, o grupo praticamente selou-se como a maior banda dos anos 90 este ano. “Grandes lendas tornam-se maiorais quando somem por um tempo”, escreveu Nitsuh Abebe para a publicação americana.
A GQ Magazine foi ainda mais além, classificando-os como a “mais fina banda de rock dos anos 1990″. Enquanto os grupos mais conhecidos desvaneciam e abusavam do grunge e do pós-punk, o Pavement foi conquistando seu público fiel e caindo nas graças da crítica com seu rock que mescla sujeira e bom-mocismo, trafegando pelas mais estranhas temáticas para fazer o ouvinte parar por um segundo para perceber tudo o que está acontecendo a sua volta.
Com a explosão do Nirvana, só se falava em rock alternativo. E o Pavement fugiu o quanto pôde desse rótulo, para formular o primeiro esboço daquele que na década seguinte seria disseminado como Indie Rock. Mesmo assim, ainda hoje, se esse subgênero se consolidou como a principal válvula de escape para o sucesso de novas bandas de rock, poucas, mas pouquíssimas mesmo, podem se dar ao luxo de tentar percorrer o caminho trilhado pelo Pavement.
Sem querer, Stephen Malkmus (vocal), Bob Nastanovich (backing vocals, percussão, teclados), Scott Kannberg (vocal e guitarra), Steve West (substituiu Gary Young na bateria) e Mark Ibold (baixo e guitarra, também membro do Sonic Youth) retocaram o rock com seus riffs agressivos e os solos mais inesperados de guitarra, munidos de muita distorção rítmica. As composições também dão uma nova faceta à realidade que estavam vivenciando, contribuindo ainda mais para a unicidade do grupo. (Quem esperaria, nos anos 90, ouvir Malkmus cantar que um amor pode dar certo porque ‘ela é vazia e eu sou vazio’?)
Slanted-Enchanted, o álbum de estreia do grupo lançado em 1992, é uma explosão de sonoridades distorcidas que, ao mesmo tempo, é desprovido daquela urgência roqueira característica das bandas noventistas. “Summer Babe”, “Loretta’s Scars” e “Two States” deixam claro a antítese do vocal calmo de Malkmus com a incandescência dos riffs. Não é a toa que está em qualquer lista de melhores álbuns da década (se não for O melhor em alguns casos).
Crooked Rain Crooked Rain foi lançado dois anos depois e trouxe o hit que, na seleção da Pitchfork, é considerado a melhor canção dos anos 90: “Gold Soundz”. Até o momento, o grupo lançou cinco álbuns de estúdio e não deu nenhuma pista para a gravação de um novo disco.
Depois de muita espera, o grupo vem ao Brasil realizar uma apresentação rara, digna da presença de qualquer fã amalucado de indie. Em novembro, o Pavement se apresenta no Planeta Terra em novembro na capital paulistana mas, infelizmente, os ingressos já estão esgotadíssimos.
Esta semana, a banda se apresentou no programa de TV ‘The Colbert Report’ e realizou uma apresentação impecável de “Gold Soundz”, que você pode conferir no vídeo abaixo:
