
Sim, atrasado como sempre, coloco aqui a lista dos 10 Melhores Álbuns de 2010. E repito: muito som que poderia estar aqui, infelizmente, ficou de fora. Falo de Rick Ross, Lil’ Wayne, Graffiti6, Warpaint, Sleigh Bells, Gorillaz, Drake e mais alguns. Seleções são injustas, eu sei bem disso, mas já que devem ser feitas…
A lista do 11º ao 20º já foi publicada. Abaixo, segue a segunda parte do Top 20. Concorda? Não? Esculache nos comentários!
10. Marnie Stern: Marnie Stern
Gravadora: Kill Rock Stars
Gênero: Rock
Crítica Na Mira do Groove
Incisiva, Marnie Stern nos apresenta um dos álbuns mais pesados do ano. A compositora e guitarrista forma uma bela dupla com o baterista Zach Hill quando a pretensão é fazer barulho. O som é desconstrutivo mesmo e as letras, tão descompromissadas quanto a agressividade lhes permite. No terceiro álbum de estúdio, Marnie transborda energia em pancadas como “Cinco de Mayo”, “For Ash” e a excepcional “Her Confidence”. Uma dinâmica empolgante que deixaria qualquer banda pós-77 no chinelo.
Melhores faixas: “For Ash”, “Gimme”, “Cinco de Mayo” e “Her Confidence”.
9. Cee Lo Green: Lady Killer
Gravadora: Elektra Records
Gênero: Soul
Crítica Na Mira do Groove
Esse foi um dos álbuns que mais escutei durante o ano inteiro. Cee Lo Green assume uma das personalidades mais distintas no meio musical como o assassino de mulheres. Seu primeiro single, “Fuck You”, tornou-se um viral sem precedentes e, inclusive, foi censurado em algumas redes, forçando o soulman a gravar um take alternativo intitulado “Forget You” (sic!). Lady Killer é 45 minutos de pura delícia, que mostra as aventuras e desventuras de um personagem peculiar querendo expor seu sentimentalismo. Um soul moderno e hypado que tem potência para agradar desde os novatos aos ouvintes mais apaixonados pelo gênero.
Melhores faixas: “Fuck You”, “Bodies”, “Love Gun”, “It’s OK” e “Old Fashioned”.
8. Joanna Newsom: Have One On Me
Gravadora: Drag City
Gênero: Psychfolk
Crítica do Pitchfork (em inglês)
Ladies and gentleman, com vocês o álbum mais… atípico de 2010. A profundidade das letras de Joanna Newsom e as referências clássicas e folk se misturam em outras misteriosas incursões musicais que prezam a melancolia. Mas não de forma depressiva ou demasiada triste; o que vale aqui é a intensidade. Tanta que uma primeira audição de Have One On Me pode frustrar a maioria dos ouvintes. Afinal, é difícil pegar logo de cara a essência de um trabalho que tem mais de 90 minutos de duração e canções bem longas. Agora, se você resolver experimentar, provavelmente vai me criticar bastante por não tê-lo colocado algumas posições a frente nesta lista. Como dica, recomendo que comecem ouvindo “Good Intentions Paving Company” ou a faixa título “Have One On Me”. E você vai ver como a harpa de Joanna transborda uma vitalidade emocional tão elevada quanto sua beleza física.
Melhores faixas: “Good Intentions Paving Company”, “Have One On Me”, “In California” e “Autumn”.
7. The Roots: How I Got Over
Gravadora: Def Jam
Gênero: Hip Hop/R&B
Crítica Na Mira do Groove
Pode-se dizer que 2010 foi um ano muito produtivo para ?uestlove, BlackThought e companhia: eles realizaram diversas parcerias, que vão do revival soul de R. Kelly ao delicioso saudosismo à música negra em parceria com John Legend, que resultou no excelente Wake Up!. Mas o holofote realmente foi How I Got Over. Parcerias de peso, que vão da retraída Joanna Newsom ao frenético Dice Raw, dão o suporte para as rimas assumidamente mais otimistas que os rappers começaram a adotar. Reflexo da Era Obama, que trouxe uma nova esperança para o grupo e garantiu uma relativa paz às rimas outrora agressivas.
Melhores faixas: “Dear God 2.0″, “Now Or Never”, “Right On” e “The Fire”.
6. LCD Soundsystem: This is Happening
Gravadora: DFA Records
Gênero: Eletro-Punk
Crítica da Rolling Stone americana (em inglês)
Se Iggy Pop resolvesse unir forças com David Byrne por volta dos anos 80, e realizasse uma tour sem compromisso por Londres, certamente chegariam a algo aproximado do que James Murphy fez em This Is Happening, do LCD Soundsystem. “Pow Pow” é puro Talking Heads, com percussões africanas comendo solto enquanto as pistas se explodem com as batidas techno. “One Touch” também é das pistas, mas tem um sentido bacana relacionado ao prazer e como evitar que ele te leve aos excessos. O álbum inteiro é repleto de canções divertidas que podem ser escutadas tanto na hora de empolgação para aquela balada fervorosa, quanto em uma manhã tenebrosa de segunda-feira, quando a ressaca do começo do dia é motivo para te deixar estragado pelo menos pelas próximas 12 horas.
Melhores faixas: “Drunk Girls”, “I Can Change”, “All I Want”, “One Touch” e “Pow Pow”.
5. These New Puritans: Hidden
Gravadora: Angular/Domino
Gênero: Avant-garde/Pop
Crítica do New Musical Express [NME] (em inglês)
Segundo álbum da banda inglesa These New Puritans, Hidden é puro avant-garde. Levado pelos loops percussivos de George Barnett e os teclados e backing vocals de Sophie Sleigh-Johnson, o grupo sugere novos caminhos para a música pop universal, por mais esquisitos que o som deles possa parecer. A proposta é música-ambiente que, de alguma forma, crave no imaginário do ouvinte. Violência cosmopolitana está presente no álbum, como podemos ver no ritmo industrial-melódico e uma alternância bacana de barulho de espada e bumbos de marcha na canção “Attack Music”; ou os vocais vorazes de “We Want War”. Além dos elementos já citados, sons de oboé, facas, pianos, coros e até mesmo barulho de tosse ajudam a compor uma das grandes obras-primas de 2010. Quiçá da década.
Melhores faixas: “We Want War”, “Attack Music”, “Orion” e “Drum Courts: Where Corals Lie”.
4. Erykah Badu: New Amerykah Part II: Return of the Ankh
Gravadora: Motown
Gênero: Soul/R&B
Crítica do jornal The Washington Post (em inglês)
Nada mais propício que uma gravadora do porte da Motown para lançar o segundo episódio do trabalho conceitual de Erykah Badu, o New Amerykah. Enquanto o álbum anterior, 4th World War, tinha letras mais politizadas e de caráter reflexivo, em Return of The Ankh a cantora explora seu âmago de forma contagiante, dando modernidade à soul music sem perder o vigor das divas dos anos 60 e 70. Se é vestígio de novas esperanças para a humanidade no conceito baduístico, ainda não sabemos. Mas que canções como “Love”, “Window Seat” e “Fall In Love (Your Funeral)” são lindas o suficiente para nos proporcionar uma calma relativa a esses tempos turbulentos, ah, isso é indubitável.
Melhores faixas: “Window Seat”, “Gone Baby, Don’t Be Long”, “Turn Me Away (Get Munny)”, “Fall In Love (Your Funeral)” e “Out My Mind, Just In Time”.
3. Arcade Fire: The Suburbs
Gravadora: Merge
Gênero: Indie Rock
Crítica Na Mira do Groove
Não podia ficar de fora o melhor lançamento indie do ano. Com The Suburbs, os membros do Arcade Fire dão os primeiros passos para invadir com tudo o mainstream, sem deixar de lado o caldo sonoro que rendeu ótimos frutos com o debut Funeral e o conceitual Neon Bible. A faixa-título revela a preocupação do grupo em tratar com intensidade as veias que formam o subúrbio tal qual o conhecemos. E é esse subúrbio que serve como contexto para todos os demais subtemas. “Ready To Start” é um começar-não-começando com características punk, “Modern Man” explicita o íntimo de um garoto citadino e “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”, uma das melhores do álbum, faz um casamento perfeito entre rock e disco. The Suburbs, com o pouco tempo de lançamento, já revela ser a porta de entrada perfeita para angariar novos ouvintes. Ainda assim, os fãs mais fervorosos podem ficar seguros de que o grupo não irá mudar drasticamente o rumo de suas peculiaridades musicais. Pelo menos essa é a minha impressão, palavras de um ouvinte devoto do Arcade Fire.
Melhores faixas: “The Suburbs”, “Ready To Start”, “Empty Room”, “Deep Blue”, “We Used To Wait” e “Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)”.
2. Janelle Monáe: The ArchAndroid
Gravadora: Bad Boy
Gênero: R&B/Funk
Crítica Na Mira do Groove
Nova promessa da música pop? Da black music? Soul, então? Não, nada disso. Janelle Monáe passa todas essas impressões ao mesmo tempo, mas está muito mais distante do que você imagina. Parece que David Bowie foi uma das principais influências de The ArchAndroid, mas seria simples demais resumir uma obra tão grandiosa dessa maneira. O funk de James Brown se faz presente onde a guitarra ferve mais, como em “Faster” e “Tightrope”. A trajetória da afroandroide Cindy Mayweather é toda envolta em um sincretismo artístico que poucos conseguiriam formatar em um álbum tal qual Janelle fez. Do cinema de Fritz Lang ao surrealismo de Salvador Dali, passando pela androginia, soul music, blues e hip hop, a cantora não tem precedentes para buscar inovações sonoras, seja inspirando-se nos demônios interiores (“Locked Inside”) ou na revolta que guardamos de alguma forma em nossas mentes (“Cold War”).
Melhores faixas: “Faster, “Sir Greendown”, “Cold War”, “Tightrope”, “Come Alive (The War of The Roses)” e “Mushroom & Roses”.
1. Kanye West: My Beautiful Dark Twisted Fantasy
Gravadora: Def Jam/Roc-A-Fella
Gênero: Hip Hop
Crítica Na Mira do Groove
O álbum de hip hop mais ambicioso já gravado tem todos os motivos para conquistar a primeira posição dessa lista. Kanye West pode não ser uma das personalidades mais admiráveis no mundo da música, mas tem habilidade o suficiente para nos convencer a concordar com seu ego. TODAS as canções do álbum foram produzidas de forma magistral. Claro que as infindáveis participações, que vão de Rihanna, passando pelos pianos de Elton John até Pusha T, contribuem para a superioridade de um trabalho que elevou o hip hop a outros patamares. Os samplers também são de causar inveja: de King Crimson (em “Power”) a Gil Scott-Heron (interlúdio em “Lost In The World”, uma das mais belas do álbum), o hip hop se encontra com o rock, o soul, o blues e a psicodelia como nunca antes visto na história da música.
Melhores faixas: “Gorgeous”, “Power”, “All Of The Lights”, “Monster”, “Devil In a New Dress”, “Runaway”, “Hell Of A Life” e “Lost In The World”.
