20. Issamu Minami

Ceticências

Gravadora: Independente
Gênero: Eletrônica/IDM/Ambient
Texto: “Mais próximo do pop que consegui chegar”

Download gratuito via BandCamp

Um dos muitos projetos de Cadu Tenório, o Ceticências parece diminuir as trincheiras entre techno, downtempo e dark-ambient. No trampo que ‘dá pra bater o pézinho’, Tenório joga as extremidades do VICTIM! (outro de seus projetos) num esquema híbrido de repetição, como pode ser conferido em “Patrol Hopper” e “White Jacket”. Apesar de ter lançado outros EPs com o Ceticências, Issamu Minami se impõe como a busca mais bem-sucedida quando falamos de uma produção IDM nesses trópicos.

Ouça: “White Jacket”

19. Intensos Animais Imperceptíveis

Digital Ameríndio & (American Bigfoot) Mouse Mouse Joe

Gravadora: Cloud Chapel
Gênero: Rock Psicodélico
Texto: Doido, psicodélico e intenso

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Neste ano o compositor Bonifrate lançou o terceiro álbum solo, Museu de Arte Moderna, mas quem impressionou na busca por uma psicodelia extremada foi o parceiro de Supercordas Digital Ameríndio. Trocando as baquetas pela guitarra, Ameríndio parece arremessar Walter Franco num campo magnético prestes a eclodir. Os loopings das guitarras são viscerais a ponto de causar mais reação no ouvinte que as doidas letras, que falam de sentidos (“Arlequim Sobrevoando a Montanha Subterrânea”) e cosmos (“Introdução”) da forma mais lisérgica que você pode imaginar.

Ouça: “Lombroso”

18. Umbra

Herod

Gravadora: Sinewave
Gênero: Post-rock
Texto: O post-rock e o encontro com outras vertentes

Desde a entrada do guitarrista Lippaus, a banda Herod Layne mudou tanto que decidiu reduzir o nome para Herod e seguir uma trilha mais ousada em seu post-rock tilitante. As referências de Godspeed You! Black Emperor e Mogwai permanecem, mas Umbra se distingue dos trabalhos anteriores por ser mais arriscado e poderoso. Das circulares guitarras de “Collapse” à rouca participação do vocalista Jair Naves na nervosa “Limbo”, a Herod prova que o gênero não está atrelado a um conceito fechado. Como a capa sugere, basta tirar a rocha que atrapalha o caminho da luz.

Ouça: “Limbo” (part. Jair Naves)

17. Contra Nós Ninguém Será

Edi Rock

Gravadora: Baguá Records
Gênero: Rap
Texto: Crítica Na Mira do Groove

Mais de dez anos depois do último disco dos Racionais MCs, os membros decidiram partir para trajetórias solo antes do prometido sucessor de Nada Como Um Dia Após o Outro Dia (2002). KL Jay já lançou diversas mixtapes neste ínterim, mas o primeiro MC a colocar-se em teste foi Edi Rock, que soa eloquente e emocional em Contra Nós Ninguém Será. Ele pisa como titã em petardos como “Eu Canto Uq Soul” e em “That’s My Way”, já mostrada no ano passado em clipe com Seu Jorge. Há alguns desalinhamentos de produção em faixas que mereciam ser melhor lapidadas, como “Estrela de Davi” (com sampler de Tim Maia) e “Homem Invisível” (com participações de Helião e Mano Brown). Todavia, temos que admirar o diálogo com gêneros como ragga (“Abre-se os Caminhos”), gangsta rap (“Cava Cava”) e música latina (“Voltarei Para Você”, com participação de Marina de La Riva).

Ouça: “Abrem-se Os Caminhos” (part. Alexandre Carlo e Falcão)

16. Grão

Fábrica

Gravadora: Independente
Gênero: MPB
Texto: Entrevista Na Mira do Groove

Download gratuito pelo site oficial

Havia um conflito interno antes de Grão sair do papel e Emygdio Costa foi encontrar as respostas na natureza. Para não se sentir ainda mais isolado, chamou parceiros como Cadu Tenório, MoMo e Sávio de Queiroz na busca de belos arranjos acústicos no segundo disco com o Fábrica. Como é passível com as coisas da natureza, podemos dar de cara com a tranquilidade de “Viração” e se surpreender com os arroubos que surgem na segunda metade de “Infante”. Mas é na sintética divagação de “Mais Um” e nos encontros estéticos da faixa-título que o Fábrica se engrandece, provando que a melancolia pode gerar uma obra autêntica e de força arrebatadora.

Ouça: “Mais Um”

15. Manifesto

Gustavo Jobim

Gravadora: Independente
Gênero: Dark-ambient
Texto: Pianos, sintetizadores, minimal, eletrônica, experimental

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Pense em Klaus Schulze ou um Tangerine Dream ainda mais intenso. A eletrônica alemã se faz presente no trabalho de Gustavo Jobim, mas apenas para quem busca contexto. No quesito significação, Manifesto sugere outros caminhos seguidos pela eletrônica brasileira. O músico carioca não pretende agradar ou adquirir séquitos neste disco: exibe mais uma procura pessoal pela tortuosidade de sintetizadores e percussão, jogando o ouvinte para uma selva desconexa de zumbidos, interferências, melodias e experimentos.

Ouça: “The Spell”

14. Zozanterdam

EXPLT

Gravadora: Independente
Gênero: Eletrônico/Chill-Out/Hip Hop Instrumental
Texto: Entrevista no blog Zamus

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Funk, chill-out, drum’n bass: os gêneros, samplers e tomadas aparecem, se contraem, fortalecem e deixam ruídos na cabeça do mentor Cayo Carignani e nos nossos ouvidos. O que era pra ser uma espécie de database de beats para a construção de rimas tornou-se uma rica divagação sobre o imaginário que a eletrônica pode nos proporcionar. Nessa trajetória de batidas criativas, Carignani trilhou um caminho paralelo que exibe um diferente entrelace de hip hop com chill-out. Talvez a produção do EXPLT deva mesmo ter um lugar separado dos demais projetos de Carignani. Porque a inserção das rimas de “Panda”, do KiwiQualquer, descaracterizam os achados feitos com o EXPLT.

Ouça: “Macaco”

13. Rastros

Cangaço

Gravadora: Independente
Gênero: Heavy-metal/Baião
Texto: Resenha do Whiplash

Download via site oficial

Eis uma proposta ousada: unir o peso do heavy-metal tendo como referência a tradição pernambucana, como baião, a poesia de João Cabral de Melo Neto e danças do agreste. O grande papel do Cangaço é estabelecer uma conexão disso tudo com a agrura ríspida do metal, como se estivesse detratando o vil que se estampa por alegria em faixas tenebrosas como “Arcabuzado” e “Mental”. O que mais impressiona no som do Cangaço é perceber a similaridade instrumental que muitos encaram como distinção. Ainda que discos como Roots (1996) e Peixe-Homem (2011) tenham esboçado encontros do metal com gêneros nordestinos, Rastros parece viabilizar completamente essa proposta com coragem e técnica arrebatadoras.

Ouça: “Arcabuzado”

12. O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui

Emicida

Gravadora: Laboratório Fantasma
Gênero: Rap
Texto: Entrevista Na Mira do Groove

Mais de quatro anos após a estreia com as mixtapes, Emicida permitiu-se evoluir devagarinho até conceber seu primeiro disco de fato. Esse tempo lhe deu lucidez para perceber a carência de inovação existente no rap nacional. Se Doozicabraba e a Revolução Silenciosa (2011) foi crucial na execução de novos temas em novos flows, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui foi a forma que o rapper encontrou para dialogar com as múltiplas investidas de nomes que vão de Tulipa Ruiz (“Sol de Giz de Cera”) a MC Guimé (“Gueto”). Mais próximo da música cantada que falada, Emicida dá vários breques em seu estilo combativo (apesar de não abandoná-lo) e aponta mais rumos para um gênero que é muito mais interessante do que catalogam.

Ouça: “Crisântemo”

11. Danza Cava

Chinese Cookie Poets & Nicolau Lafetá

Gravadora: Mansarda
Gênero: Free-rock/jazz
Texto: Mais pra free-jazz que free-rock

Download via Mansarda Records

A entrada do trompetista Nicolau Lafetá deu uma cara mais jazzística ao free-rock do Chinese Cookie Poets. As entradas dos instrumentos em Danza Cava podem parecer aleatórias, mas não é preciso muitos minutos para que a banda fixe uma estranha ordenação. Faixas como “Ojo de Ceniza” e “Tiao Yue” fazem valer um termo como ‘fusion-punk’, unindo o experimento de um com o timing certeiro do outro. Talvez Danza Cava não seja o disco mais recomendado para quem procura entender a representatividade do CCP no contexto musical atual. Isso soa como elogio, pois prova que os caminhos tortuosos podem ser mais bem-sucedidos que conceitos pré-estabelecidos.

Ouça: “Tiao Yue”

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