
01 Fix My Life 02 Release! 03 Tuna 04 We Are Enough 05 Kingdom of Kush 06 Free Walk 07 Mouth To Mouth
08 Camel
Gravadora: The Leaf





Digamos que o primeiro álbum do Melt Yourself Down faz um giro pelo globo: vai da exacerbação do funk carioca nas batidas iniciais de “Fix My Life”, injeta eletrônica no afro-beat ganês em “Release!”, visita alguns terrenos do Oriente Médio sem sair da África em “Kingdom of Kush” e parece se aproximar de uma Índia bem mais tântrica que a música de Ravi Shankar em “Free Walk”.
Esses muito caminhares dariam ao primeiro álbum do supergrupo formado por membros do The Heliocentrics, Acoustic Ladyland e Transglobal Underground o rótulo de world music que apenas limitaria um trabalho que soa bem coeso apesar das múltiplas direções musicais que explora.
A base para entender Melt Yourself Down, o disco, é bem singela: é música de arrepiar as espinhelas como um ritual tribalístico que necessita do fator presença para ser realizado.
Poderia falar que é dançante? Não vou me ater à redundância quando afro-beat e highlife entram na soma. O que mais impressiona são as imprevisibilidades do sax de Pete Wareham e da bateria de Tom Skinner numa “Mouth To Mouth” ou a percussão apimentada que enriquece mais a música eletrônica que a africana em “We Are Enough” (agradeça a Satin Singh).
Os vocais de Kushal Gaya (de Zun Zun Egui) transitam do funk africano ao avant-garde, ora soando como um cantor de grindcore (“Kingdom of Kush”), ora fazendo honraria ao afro-beat de Togo (“Tuna”).
A intersecção entre jazz e eletrônica vai de encontro tanto com a proposta fusion de um Mahavishnu Orchestra quanto às excentricidades instrumentais de um Frank Zappa. Quando você acha que o disco escorrega para o afro-beat, logo ele surpreende com linhas de um rock’n roll tão revigorante como o Led Zeppelin (“Camel”).
As oito músicas de Melt Yourself Down são explosivas do começo ao fim. Em pouco tempo, você percebe que essa atmosfera musical não poderia ter sido criada por outro grupo. Não há aposta excessiva na virtuosidade de cada integrante; a grande força é a dinâmica potente.
Pode colocar quantos nomes quiser para definir a real sonoridade do Melt Yourself Down. No meio de um monte deles reside um axioma: você está diante de um disco pulsante do começo ao fim. Não são os seus pés que vão mexer; deixe esse trabalho para as artérias.
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Ouça o álbum homônimo do Melt Yourself Down na íntegra:
Melhores Faixas: “Fix My Life”, “Release!”, “Kingdom of Kush”, “Camel”.
