
Além de cantor, China também apresenta o programa MTV na Brasa
Gravadora: Trama




Quando China rompeu com o grupo Sheik Tosado e seguiu em carreira solo, ao invés de seguir a mesma cartilha do rock pesado e hard core que pautava um dos grupos bem barulhentos de Recife, decidiu menear um pouco mais e seguir caminhos mais experimentais.
Um Só (2006), seu primeiro EP solo, ainda trazia as guitarras sujas na faixa “Contra-Informação”, mas mostrou outras diretrizes sonoras com a surf music de “Ultravioleta” ou a brasilidade da bossa nova em “Um Só”. Foram os passos iniciais para o sucesso do seu consistente álbum Simulacro, lançado no ano seguinte, que mostrou a relevância e a diferença de China em relação a outros artistas oriundos de Pernambuco.
Em Moto Contínuo, China agregou os sons das novidades musicais – propiciados pelo MTV na Brasa (talvez o melhor programa da emissora) – injetando ainda mais ecletismo em suas referências estéticas. Está certo que, agora, o artista está mais pop. E o seu disco segue esse caminho natural, que também vem com a sua competência como compositor com o adendo de seu grande carisma.
Aqui, há um diálogo maior com a cena que engloba Mombojó, Nação Zumbi e Orquestra Sinfônica de Recife, justamente porque membros deste três grupos aparecem como colaboradores muito bem-vindos. Tem surf-music à lá antimonotonia em “Só Serve Pra Dançar” e um admirável dueto com Pitty em “Overlock”, numa espécie de bossa nova modernizada.
Assim como nos trabalhos anteriores, China sabe aproveitar seus vocais para combiná-los com diferentes gêneros, seja nas batidas eletrônicas de “Nem Pensar em Você”, no rock indie meio praieiro de “Programador Computador” ou na marchinha melódica de “Terminei Indo”, em dueto com a cantora Tiê.
Melhores Faixas: “Overlock”, “Distante Amigo”, “Espinhos”.
