
Já começamos com uma polêmica: no vídeo de Florence + the Machine, raça, religião e classe social são temas que se entrelaçam em um olhar que vai deixar muita gente brava. Há indícios de preconceito, mas alguns espectadores podem achar que não tem nada a ver. Emicida arrebenta tudo em Nova York junto com o parceiro Rael da Rima e o The Weeknd estreia com um vídeo muito bem produzido, que interliga a influência do imperador Haile Selassie I, da Etiópia, em um planeta futurístico lá do ano 16311. Mas o que vence aqui, ah, é sempre o descompromisso, a produção barata e a diversão.
Veja os melhores vídeos da semana:
6. Florence + The Machine: “No Light, No Light”
Florence está em cima de um prédio de Nova York, com medo de alguma coisa que está acontecendo nas ruas. As imagens de um rapaz fazendo algo parecido com uma quizumba e crianças cantando numa igreja nos fazem pensar que tem algo estranho. Florence pula e sai correndo que nem louca, até que é perseguida por algumas crianças. (Pra ser bem sincero, este vídeo me intrigou bastante. Adeptos ao candomblé vão criticar muito ao ver Florence sendo ‘salva’ pela Igreja Católica, enquanto demoniza o ritual da religião negra.) Boa direção de fotografia. Foi dirigido por Anni & Kinski.
5. Emicida & Rael da Rima: “Sorrisos e Lágrimas”
Em meio às ruas movimentadas de Nova York, o rapper Emicida chamou o parceiro Rael da Rima (Pentágono) para falar de utopias. Ele anda pela cidade tal qual um cidadão com pensamentos borbulhando, enquanto volta de um rolê no metrô ou vislumbra uma bela garota andando na rua. Simplicidade. Foi dirigido por Gandja Monteiro.
4. Fleet Foxes: “The Shrine/An Argument”
Quando a animação toma conta de um vídeo de mais de 8 minutos, já sabemos que não perderemos muito tempo com obviedades imagéticas. Com este clipe, não podia ser diferente. O folk psicodélico/reflexivo do Fleet Foxes ambienta a trágica aventura de um animal quadrúpede, com uma espécie de máscara africana, que vive normalmente numa floresta inimaginável. Inclusive, até parece que ele é o rei daquele local obscuro, que tem tribos antropofágicas e lobos raivosos. Mas o animal é apenas mais um na cadeia alimentar. Foi dirigido por Sean Pecknold.
3. The Roots: “Sleep”
No quarto vídeo do aguardado disco undun, o The Roots explora a morte do personagem Redford Stephens, mostrando ele deitado (supostamente morto) com uma arma na mão, enquanto uma trilha meio orquestral, meio dubstep, com vocais tristonhos, serve como pano de fundo. Uma parte existencial num vídeo curto, reflexivo e muito inteligente. Novamente dirigido por Clifton Bell.
2. The Weeknd: “The Knowing”
No primeiro clipe da carreira, o protegido de Drake começa mostrando o imperador Haile Selassie I como porta-voz de uma geração perdida e bem nefasta do ano 16311. Eles estão em um planeta chamado Ethio X, e uma bela bruxa trata de reviver o imperador. Pelas imagens, pode-se imaginar o que for, menos que há paz por lá. No momento do sexo, feixes de luz substituem os órgãos genitais. Além disso, planetas se rompem como se fossem laranjas cortadas com uma faca de serra, onde o Sol é praticamente inexistente… um caos! Foi dirigido por Mikael Colombu.
1. Jukebox the Ghost: “Half Crazy”
Fala se não seria legal se, no momento em que tivéssemos que acordar, uma escova de dentes viesse automaticamente fazer o seu trabalho rotineiro? A escova mais cool do mundo introduz a vida de um rapaz alienado pelo seu próprio cotidiano. Ele toma café às pressas e encontra com rapazes que fazem de uma cartolina gigante seus instrumentos musicais. Essa é a metade louca do nosso dia: achamos que nada do que fazemos é automático, quando na verdade podemos ser mais automáticos do que os objetos que dependem de nossa manipulação. Abstrações à parte, o vídeo e a música são bem divertidos. Foi dirigido por Matthew Thompson.
