Gravadora: Columbia
Data de Lançamento: 4 de fevereiro de 2014
Às vezes dá vontade de dizer: a disco music deveria ter acabado de vez nos anos 1980. Não porque suas possibilidades foram amargamente esgotadas, mas simplesmente porque tem sido o gênero mais mal aproveitado como influência.
Hoje em dia as tecnologias de produção de estúdio permitem o aprimoramento sonoro necessário para que a disco music, tão usual nas pistas de dança, ganhe contornos modernos, atualizados.
O produtor Danger Mouse, metade do duo Broken Bells, sabe disso muito bem. Mas não é técnica de estúdio que salva tudo – nem mesmo a Angel City String Orchestra, composta por dezessete músicos, que dão apoio ao trabalho.
O vocalista James Mercer, figura semiadorada no indie com o The Shins, não muda em nada a sua levada musical para que After the Disco se encaixe no gênero mencionado (e descartem qualquer nomenclatura indie-disco, por favor).
Pegando faixa por faixa isolada, os elogios à produção são inevitáveis. “Medicine” tem uma simbiose de baixo e synths agitados; “Lazy Wonderland” é a estrutura de uma boa balada (tristemente estragada pela composição fraca e backings mequetrefes); e, com bom humor, dá pra dizer que “The Changing Lights” convence… Pode convencer, mas só se você estiver com bom humor.
O disco nem ao menos começa de forma instigante: até a faixa-título de After the Disco, bastaria colocá-lo na mesma prateleira de Random Access Memories (que poderia ser a prateleira dos oportunistas-modernos-que-querem-estragar-a-disco). Sucede de forma ainda pior com “Holding On the Life”, tão modorrenta que dá vontade de parar o álbum.
Diferentemente do álbum homônimo, que mostrava uma espécie de nova intersecção por meio do indie, After the Disco é um retrocesso dos grandes. O que tem de boa produção falta em qualidade.
A voz de James Mercer não casa em nada com o gênero, as composições são fracas a ponto de se tornarem incômodas e o gênero disco, que deveria ser mais valorizado pelos insistentes que não hesitam em meter o bedelho em suas glórias, parece ter sido aniquilado.
Se ‘depois da disco’ o resultado é este que o Broken Bells supõe neste álbum, é uma grande pena um gênero tão agitado e glorioso encerrar-se de uma forma fracassada e piegas.
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A seguir ouça After the Disco, de Broken Bells, na íntegra:
