Quando Dave Brubeck, um dos maiores jazzistas vivos, ouviu pela primeira vez a versão de sua música “Take Five” executada pelo Sachal Studio Orchestra, disse: “é a versão mais interessante que escutei”.

Tem causado grande interesse na imprensa britânica esse grupo que se tornou o resultado de um projeto filantrópico do milionário Izzat Majeed, paquistanês que vive hoje em Londres. Recentemente, o Sachal Studio lançou um disco remodelando clássicos do jazz e da bossa nova com instrumentos mais ligados à cultura paquistanesa, que parece bem correlata às origens latinas: tem percussão forte, síncope e uma bonita linha melódica. Além disso, é repleta de violinos e cítaras, mostrando como os clássicos podem ser universalizados sem que percam a sua unicidade.

Filantropo que tornou o projeto possível disse que a música popular paquistanesa passava por momentos difíceis devido a uma lei dos anos 80. Por isso, se radicou em Londres

O disco da orquestra, Jazz Interpretations of Jazz Standards and Bossa Nova, traz algumas das composições que nós aqui já estamos bem acostumados a ver os estrangeiros tocarem: uma delas é “Garota de Ipanema”, que ganha laços estéticos orientais entremeados a um swing contido, mas que garante a marca da canção.

O grupo também criou uma versão para “Desafinado”, escrita por Tom Jobim e Newton Mendonça, com vocais femininos que seguem como cartilha aquela gravação do disco Getz/Gilberto, que praticamente expôs a bossa nova ao mundo da forma mais bonita possível.

Majeed disse em uma entrevista ao The Guardian que só foi possível estabelecer a orquestra fora do Paquistão porque lá não havia instrumentos disponíveis aos músicos. Ele afirmou que a música popular de seu país caiu em declínio nos anos 80 depois que o General Zia-ul-Haq, um ditador, acabou com a indústria cinematográfica paquistanesa. Com isso, muitos músicos que ganhavam dinheiro fazendo trilhas para cinema perderam seus empregos, comprometendo o progresso no campo musical.

Quem sabe agora não seria hora de expor a cultura musical do Paquistão ao mundo? Reinterpretar clássicos é um bom caminho para isso. Para ouvir algumas das faixas, visite o site do Napster.