01 Lies My Body Told Me 02 Your Turn 03 Masters of the Internet 04 Ritual Slaughter 05 Avanti Popolo 06 Ain’t Gonna Let Them Turn Us Round 07 Bread and Roses 08 Prayer 09 Mr. Pants Goes to Hollywood 10 The Kid is Back! 11 Take 5 12 We are the Professionals

13 Special Snowflake

Gravadora: Nouthern Spy Records

Experiente guitarrista com uma longa carreira que envolve trabalhos com músicos que vão de Tom Waits a Caetano Veloso, Marc Ribot pode brincar o quanto quiser. A probabilidade de sair coisa boa é muito grande.

Assim que Your Turn bate aos ouvidos, o que parecia ser brincadeira se torna uma vultosa experiência. Do rock ao avant-garde, do eletrônico ao fusion: nenhum gênero é instransponível nos instrumentos dos grandes virtuoses do Ceramic Dog – complementado por Shahzad Ismaily (baixo) e Ches Smith (bateria).

“Lies My Body Told Me” abre o disco com um interlúdio lento e arrastado. A voz de Ribot tem um timbre que caberia na sonoridade dessa nova geração roqueira, mas não é bem isso o que ele quer. E isso a própria canção faz questão de não demorar a mostrar: as guitarras parecem invadir um porão. Logo nas primeiras acentuações, ela já se faz importante complemento para a canção, que fala de desejo e resignação.

É logo na segunda canção, “Your Turn”, que o instrumento de Ribot incendeia – a ponto de deixar um Alex Lifeson (Rush) tremendo de inveja tamanha a agilidade em que as notas são dedilhadas.

Os integrantes não esconderam a despretensão da ‘brincadeira’ que toma gigantes proporções aos ouvidos de quem gosta de apreciar virtuoses. Ainda assim, eles fizeram questão de demonstrarem alguma preocupação com o que acontece à nossa volta – como se percebe na “Masters of the Internet” (com algumas sonoridades orientais) e “Ain’t Gonna Let Them Turn Us Round” (country-blues com ares de freaky, como se Tom Waits encontrasse Ry Cooder no mais sujo dos becos e resolvesse tirar um som).

Todavia, Your Turn não precisaria de adições vocais para comprovar sua eficácia. Quando eles dão a vez para os instrumentos, aí nos lembramos da importância de um power trio. (Tanto que, se quiser chamar o Ceramic Dog de Cream do século XXI, não há exagero algum.)

Assim, é muito mais agradável aumentar o volume ao som de pancadas como “Ritual Slaughter” e “Prayer”, onde o virtuosismo soa mais eficaz que qualquer voz.

E, nessa linha, o que falar sobre a versão da banda para “Take 5”, de Dave Brubeck? O baixo de Ismaily assume o tempo entrecortado do piano de Mr. Brubeck, enquanto a guitarra de Ribot toma a linha musical do sax alto de Paul Desmond, transfigurando-a totalmente. É uma versão para deixar o ouvinte absorto em tantas interrupções melódicas – tudo isso é intencional, em prol de solos criativos, catárticos, explosivos! (Chupa essa manga aí, Jack White…)

Divertido, explosivo e, ao mesmo tempo, intrincado, o Ceramic Dog está para provar que é possível ser virtuose sem ser tecnicista demais – ou, pior, chato ao extremo.

Eles se divertem tocando – nós nos divertimos ouvindo.

Melhores Faixas: “Lies My Body Told Me”, “Ritual Slaughter”, “Prayer”, “Take 5”.