Bossa Jazz pode ser uma das vertentes sonoras do grupo paulistano Michel Leme & a Firma, mas pode ter certeza que está longe daquela calmaria que vez ou outra aparece em temas de novela ou em trilhas de elevador.

As referências do samba, cha-cha-cha e música latina estão presentes no som dos caras, mas a intensidade percussiva na bateria de Serginho Machado, os solos de Michel Leme na guitarra, que parecem migrar as áureas canções de blues de B.B. King para o jazz instrumental, a suntuosidade no baixo de Thiago Alves e a ótima sincronia de Cássio Ferreira no sax alto fazem a diferença no resultado final de um dos grupos instrumentais brasileiros que mais transbordam ritmo e energia em suas memoráveis apresentações.

Michel Leme já tem mais de 20 anos de carreira e é grande referência quando o assunto é guitarra elétrica. Seu apego à música ácida trouxe diversas possibilidades para expandir o horizonte no quarteto musical. Antes de lançar o álbum “Michel Leme & a Firma” em 2007,  já havia trabalhado com outros músicos do porte de Toninho Horta e Arismar do Espírito Santo.

Recentemente, o exímio guitarrista gravou o álbum buscando múltiplas referências estéticas brasileiras para seus temas instrumentais.

O quarteto musical vem conquistando aos poucos a crítica especializada. A ousadia em colocar rapidez em ritmos tradicionalmente sofisticados dá às apresentações de Michel Leme & a Firma um caráter experimental devido às improvisações e, ao mesmo tempo, um sentimento nostálgico de estar no reduto da boemia há 50 anos atrás. Se antes o Rio de Janeiro oferecia a ambientação perfeita para esse tipo de som, hoje a noite paulistana parece estar muito mais propícia para esse apimentado resgate.

Pode ter certeza que os caminhos do jazz instrumental brasileiro seriam outros se Michel Leme & a Firma não estivessem trabalhando pra valer. Que gravem outro álbum em conjunto assim que puderem!