Gravadora: Domino
Data de Lançamento:
9 de janeiro de 2015

Há de se perguntar como um grupo que mexe com eletrônica e psicodelia foi agradar a trupe indie. Se hoje o termo experimental é comumente aceito e antecipadamente celebrado ante qualquer julgamento sério, o Animal Collective tem culpa no cartório. Assim como um de seus mentores, Noah Lennox, que mantém o projeto solo Panda Bear.

De qualquer forma, é difícil pensar na popularização do meio-termo dos subgêneros mencionados – menos ainda quando eles são postos em formas ondulatórias, como se fizessem parte da respiração de um mundo caótico.

Panda Bear Meets the Grim Reaper, quinto disco, supõe que Lennox atingiu o status de ‘controle da fórmula’. Faixas como “Mr. Noah” e “Crossroads” não negam a árvore genealógica que incluem Person Pitch (2007) e Tomboy (2011).

Com tantos aparatos à disposição, não deixa de ser nocivo vislumbrarmos uma extrema aposta nas texturas e nos truques vocais

Ele aposta nas repetições e reduz ainda mais as interferências sônicas em suas transições rítmicas. Quando começa a música, não demora para que o ouvinte entenda sua dinâmica.

A exigência com a dinâmica, todavia, é algo que pouco deve ser levado em consideração – não apenas por tratar-se de Panda Bear, que faz melhor uso da fluidez nesse campo, mas a própria noção de musicalidade pop não demanda tamanhas variações. Porque é experimental, sim, mas acima de tudo, pop, com uma estranha junção de elementos sônicos que incluem efeitos de sintetizadores, vocais alterados e programações mantidas por software. Tudo isso interagindo com o orgânico, que se materializa na voz de Noah, em suas guitarras e na sua multimanipulação de tudo isso.

Com tantos aparatos à disposição, não deixa de ser nocivo vislumbrarmos uma extrema aposta nas texturas e nos truques vocais. Pois eles são rebarbativos em “Boys Latin”, ainda que ensaiem interessante grau de espiritualidade em “Tropic of Cancer” e “Lonely Wanderer”.

Panda Bear Meets the Grim Reaper carrega o fardo, também, de ser um dos mais longos discos do músico. Tendo em vista as limitações que sua trajetória lhe impôs, num breve momento o álbum já soa fustigante. Mas não se pode negar sua firmeza rítmica: “Principe Real” coloca os sintetizadores par a par com a voz de Noah numa interessante jogatina tribal; “Butcher Baker Candlestick Maker” vem de uma inspiração que nos remonta a The King of Limbs (2011), estimulando frequências selvagens em que o misterioso triunfa sobre o melancólico.

Colocando em termos gerais, Panda Bear simplesmente dá continuidade ao que já lhe rendeu cadeira cativa no campo experimental. Em Meets the Grim Reaper, ele não testa com o que tem disponível. Aprimora em alguns momentos, como “Butcher Baker…” e em um dos melhores achados estruturais, “Acid Wash”, que infelizmente tá lá no finalzinho do disco. Até chegar lá, o ouvinte se cansa de tanto ouvir tácitas simulações de batimentos cardíacos.