Na Mira do Groove

Se uma banda de hardcore faz um som pesado, com guitarras em chamas e vozes guturais, o que pode dar errado? Teorizando assim fica difícil, mas o erro é a impressão que fica ao ouvir o novo disco do Fucked Up. Glass Boys é o disco em que a banda retoma a normalidade das coisas. E, por contraditório que possa parecer, o que deveria ser um frescor não obteve um resultado ‘natural’. Usar o resultado bem-sucedido de David Comes to Life como fórmula soou desconexo na proposta deste disco.

A fórmula timidamente apresentada em BiRd-BrAiNs (2009) e consagrada em w h o k i l l (2011) ganha contornos mais enfáticos. O tUnE-yArDs expandiu seu campo de alcance, abrangendo experimentações com outros gêneros como trip-hop (“Look Around”) e pós-punk (“Time of Dark”), entre outros.

Escrito por Tiago Ferreira em segunda-feira, maio 19, 2014 1 Comentário 

Aceite uma coisa: o The Black Keys é uma banda tipicamente de estúdio. Se se achava que com Brothers (2010) e El Camino (2012) Dan Auerbach e Patrick Carney preenchiam a lacuna de stadium-rock injustamente entregue a grupos indie-sem-graça, Turn Blue veio para mostrar que a aliança com a tecnologia e as manipulações digitais tem mais a ver com banda que aplausos artificiais a céu aberto. Culpe Danger Mouse por isso.

Escrito por Tiago Ferreira em sábado, setembro 7, 2013 8 Comentários 

Hesitation Marks é um álbum careta. O álbum em que Reznor tomou para si a responsabilidade de dialogar com um público mais amplo. Se por um lado o disco ganha em camadas, perde em agressividade. E isso, infelizmente, não torna a obra mais interessante.

Escrito por Tiago Ferreira em sexta-feira, julho 19, 2013 2 Comentários 

Jay-Z parece se comportar mais como um empresário conservador do que um músico inovador. A primeira audição revela que ele tenta, de forma muito malsucedida, impelir o ‘boom’ de seus melhores discos com momentos difusos de sua carreira, que incluem crescimento profissional e um novo momento familiar após o nascimento de sua filha Blue Ivy Carter. Então, não entendemos: por que diabos ele ainda se incomoda com Miley Cyrus na piadinha sem graça de “Somewhereinamerica”, acha que alguém vai se convencer com a repetição enfadonha de Rick Ross em “Fuckwithmeyouknowigotit” ou faz uso do óbvio petulante na mediana “F.U.T.W.”?

Escrito por Tiago Ferreira em quarta-feira, maio 29, 2013 6 Comentários 

O experimento, assim como a liberdade, tem os seus resquícios nocivos. Para cada boa composição como “Mordido” e “Despirocar” (duas canções que subvertem o pop com belas guitarras e vigor desenfreado), a banda se deixa desleixar com bobagens como “Líquido Preto” (quase-apologia aos refrigerantes de cola que remonta a “Nescafé”, mas sem citar logomarcas – pode ser Pepsi, Dolly, Coca…) e “Torcicolo”, o resultado mais chinfrim do que seria um diálogo improvável entre Ultraje a Rigor e Jovem Guarda.

Escrito por Tiago Ferreira em segunda-feira, maio 20, 2013 15 Comentários 

Ao ouvir Random Access Memories a sensação é: bem que poderia ser fake. Se o Daft Punk fizesse isso, talvez poucos reconheceriam. Este papo de música orgânica, Chic e Steely Dan ao invés de sintetizadores e batidas repetidas – eis aí um ótimo argumento usado para dar um senso futurístico à música. Só esqueceram-se de refletir que tudo isso é obra do passado. Dos anos 1970, pra ser mais específico.